sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

MELHORAMENTO GENÉTICO – UMA FERRAMENTA DE QUALIDADE E EFICIENCIA NA PRODUÇÃO

                                                                                  Adriana Calmon de Brito Pedreira

                                                                                         MSc. em Administração Estratégica

 

Melhoramento animal é uma prática realizada desde os primórdios da humanidade a partir do momento que o homem descobriu a possibilidade de domesticar os animais. Tendo os animais mais próximos de si por um período de tempo maior, tornou-se possível a observação do comportamento, das características físicas e emocionais, como nasciam seus descendentes etc.

Trabalhar as aptidões desejadas passou a ser uma prática intuitiva e observatória, sem nenhuma base cientifica ou garantias, mas a consciência de que a escolha dos animais que seriam os pais da próxima geração existia e estava sendo praticada.

Selecionar reprodutores e matrizes para serem a base genética de um plantel é permitir que esses escolhidos contribuam de forma diferenciada com o patrimônio genético da próxima geração, deixando mais exemplares de seus genes alterando assim a chamada frequência genética do rebanho, como bem dizem Eler e Ferraz, 2010.

Quando se pensa em melhoramento genético, deve-se imediatamente remeter a duas questões: seleção e sistema de acasalamento. A seleção é a escolha dos animais que pela sua união formarão a próxima geração. O sistema de acasalamento consiste na forma como este processo acontecerá: se por via de monta natural, inseminação, quantidade de touros por vaca, quais touros com quais vacas etc.

Mas ainda assim fica a dúvida ou o questionamento: Como fazer essa seleção de maneira adequada para os objetivos da propriedade?

Primeiramente deve-se entender que o potencial genético de um animal, ou o seu fenótipo, é expresso não apenas pelas características do material genético, chamado de genótipo, mas também por interferência do meio ambiente como é demonstrado na figura abaixo.

                           FIGURA 1: O que condiciona o desempenho dos animais
                           Fonte: Pires,Alexandre Vaz. Bovinocultura de Corte. Volume II 2010 FEALQ 
 
Sendo assim é importante reforçar que as avaliações genéticas que expressam o valor genético aditivo de um animal (parte do genótipo desse animal), estimam um percentual de tendências genéticas com determinado nível de acurácia, mas que nunca poderão garantir a certeza do resultado a ser obtido.
Além das questões biológicas indecifráveis, como foi dito acima o ambiente interfere na demonstração das características desejadas O que quer-se dizer, é que nutrição e manejo irão interferir fortemente nessa expressão genética. Um animal terá grandes dificuldades em transmitir sua fertilidade por exemplo, se as condições nutricionais estiverem aquém das suas necessidades, se o manejo sanitário não estiver regular ou ainda se as condições climáticas estiverem muito fora do padrão normal.
Através das Diferenças Esperadas na Progênie (DEP´s), que são medidas da interferência do valor genético aditivo, os produtores podem escolher animais de acordo com seus objetivos específicos, pois elas (as DEP´S), são calculadas para vários critérios que envolvem:
a)      Peso ao nascer
b)      Peso aos 120 dd
c)       Peso na desmama
d)      Peso aos 12 meses
e)      Perímetro escrotal
f)       Peso aos 18 meses
g)      Altura aos 18 meses probabilidade de prenhez de novilhas
h)      Precocidade e musculosidade
i)        Altura de umbigo
É importante frisar nesse contexto de melhoramento constante da genética do plantel, onde a cada estação de monta se busca ganhar maior aderência aos objetivos propostos pela organização, que existe o chamado limite de seleção, que expressa os efeitos colaterais da seleção.
Esses efeitos podem estar vinculados a outras características genéticas não importantes e não levadas em consideração nos acasalamentos, por não estarem vinculadas ao objetivo principal, mas que no acúmulo de várias gerações podem trazer resultados indesejáveis.
Pesquisa realizada* em gado de leite da raça holandesa provou que um excesso de apuramento no item proteína e gordura geraram ao longo de algumas gerações uma queda no índice de reprodução, trazendo a média de fertilização para 20%, ou seja, 5 doses para uma prenhez!
Assim, cabe a ressalva, que a natureza é sabia e que o nosso poder de interferência ainda é limitado, porém, recursos e técnicas existentes podem aprimorar a produção, desde que usados com maestria, excelência e principalmente bom senso.
 
*Efeitos colaterais da Genética de alta produção: www.milkpoint.com.br/?actA=9&erro=1&arealD=73&referenciaURL=noticiaID= 42598llactA=7llrealD=61llsecaoID=171
 
Bibliografia:
PIRES, Alexandre Vaz. Bovinocultura de Corte. Volume II. Piracicaba. FEALQ,2010.
 
 
 

 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA continuação


TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA

                                                                                                     Adriana Calmon de Brito Pedreira

                                                                                             Msc. em Administração Estratégica
Continuação...

A partir daí, as propriedades podem começar a introduzir determinadas tecnologias para neutralizar situações endógenas e exógenas que interferem de forma negativa no sistema produtivo. Conforme o fluxograma da figura 1, o próximo passo é avançar para o manejo estratégico que envolve ações que permitem melhorar o índice de prenhez. Exemplos:

a)      Separação das matrizes por lotes conforme tipo (primíparas, secundíparas etc). Esse procedimento permite lotar as vacas em pastos mais ou menos ricos de acordo com a necessidade nutricional dela.

b)      Ajustes no período da EM. Manipular a EM em 60 a 90 dias para frente ou para trás, adequar ao período de melhor oferta de alimento, ou adaptar a um evento fora da rotina tal como uma extensão do tempo seco, ou do tempo frio, podem trazer um percentual de prenhez superior permitindo ganhos adicionais. Além disso estruturar uma EM especial para as primíparas pode ser outra, ou melhor, mais uma forma de obter ganhos percentuais representativos no total da prenhez.

A próxima etapa seria portanto, conforme a figura 1, seria partir para ações no manejo nutricional através de suplementos, uma tecnologia baseada em insumos e portanto de custos mais elevados e portanto precisando de estrutura de base mais sustentável além de um acompanhamento rigoroso que permita avaliar no futuro os resultados obtidos. Pode-se aplicar nessa fase:

a)      Focar nas fases de pré e pós parto ofertando pastos melhorados. Essa opção depende de um planejamento anterior que permita ter pastos ou piquetes aguardando essa opção. No caso pode-se incluir um feno para melhorar ainda mais a condição, sem esquecer do sal proteinado, que melhora a digestibilidade e permite uma maior oferta de proteína mais escassa na matéria seca. Essa opção depende de fatores exógenos vinculados ao clima o que não garante que possa ser aplicada na forma mais adequada.


b)       Ofertar suplementação com concentrados. A depender do ECC (escore de condição corpórea) essa suplementação, pode ser excessivamente cara ou ainda não trazer os resultados esperados. Porém aplicado em estruturas sustentáveis podem permitir ganhos de 30%nas taxas de prenhez. Entende-se portanto, que aplicar de forma generalizada não é uma indicação nesse protocolo.

Na sequência, a pesquisa ainda traz alternativas viáveis para mais uma etapa de evolução nas taxas de prenhez que são ações no manejo fisiológico reprodutivo que podem favorecer a prenhez de matrizes que estão com problemas de anestro pós parto. Também não são baratas e precisam de um avaliação técnica das condições de ECC como também ginecológicas para que possa surtir o efeito esperado. Pode-se exemplificar com:

a)      Sincronização de cio:

b)      IATF ( inseminação artificial em tempo fixo)

c)       Desmame interrompido

d)      Bio estimulação pré entoure

Por fim a pesquisa sugere que como última e mais avançada alternativa, para dar sintonia ainda mais fina ao volume de prenhez, pode-se desenvolver um manejo tático e de contingencia. Aqui estamos falando do exemplo dado no início do texto sobre desmamam precoce. A pesquisa sugere a desmama precoce com:

a)      90/120dd para parte das matrizes ou para todas as matrizes

b)      60/70 dias para parte das matrizes ou para todas as matrizes

Em ambos os casos, o custo da suplementação do bezerro é muito elevado e pode comprometer o resultado se não houver uma resposta positiva à prenhez. Por isso deve-se selecionar criteriosamente as vacas que participaram do protocolo. Vale ressaltar que esse processo deve ser avaliado após o segundo ano, quando costuma ter melhores respostas ( em função da adaptação das vacas ao sistema).

Como pode-se perceber, as tecnologias são muitas, mas todas precisam e exigem precedentes para que sejam aplicadas com respostas positivas tal como esperado. Precedentes esses que podem ser relacionados em tópicos para tornar mais didático e o entendimento mais fácil. São elas:

a)      Conhecimento dos dados biológicos da propriedade.

b)      Conhecimento da amplitude do resultado tanto dando tudo 100% certo ou dando tudo 100% errado.

c)       Conhecer quantitativamente os riscos da aplicabilidade das tecnologias.

d)      Eliminar as vulnerabilidades operacionais e de estrutura que são endógenas ao sistema.

e)      Existência de recursos suficientes e de fluxo de caixa correspondente ás necessidades.

Assim os riscos diminuem muito e o aprendizado para implantação progressiva de tecnologias passa a ser uma rotina nas organizações rurais. Não respeitar as pré condições pode representar um risco mais elevado do que a não aplicação das tecnologias.


 Bibliografia:

BARCELLOS, J.O.J.;OIAGEN, R.P.; CHRISTOFARI,L.F. GESTÃO DE TECNOLOGIAS APLICADAS NA PRODUÇÃO DE CARNE BOVINA: PECUÁRIA DE CRIA. Arch. Latinoam. Prod. Anim. Vol. 15 (Supl. 1) 2007 XX Reunión ALPA, XXX Reunión APPA-Cusco-Perú
 
COUTINHO, L. G.; FERRAZ, J. C. Estudo da competitividade da indústria brasileira. 2.ed. Campinas: Papirus, 1994. 510p.

LAZZAROTO, J.; SCHMITT,R.; ROESSING,A. A competitividade da cadeia produtiva da carne bovina. Universidade Federal de Viçosa.

PORTER, M. E. Competitive advantage: creating and sustaining superior performance. New York: Free Press, 1985. p.1-30.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA



TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA

                                                                                                   Adriana Calmon de Brito Pedreira

                                                                                                  Msc. em Administração Estratégica

Este texto é fundamentado na pesquisa de três autores da UFRGS, Barcellos, Oiagen e Christofari publicada no XX Reunión ALPA e XXX Reunión APPA realizada em Cusco no Peru. Devido a relevância do tema, da insistência da Gepecorte em discutir as questões tecnológicas da pecuária e da forma didática como a pesquisa foi apresentada, o artigo busca esclarecer sobre a importância do impacto sistêmico no uso das tecnologias.

A utilização do fluxograma abaixo é fundamental para o entendimento do caráter sistêmico que as operações apresentam no contexto da pecuária de cria, que por sua vez, como já foi abordado em outros textos neste mesmo blog, tem uma responsabilidade ímpar e extrema no movimento de desenvolvimento da qualidade do rebanho nacional e consequentemente da carne ofertada no mercado pelas propriedades brasileiras.
FIGURA 1:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Barcellos,J.O.J  Arch.Latino americano vol. 15 -2007
Observa-se que todas as etapas são integradas, que funcionam progressivamente, através de processos sucessivos e dependentes. Ou seja, o que é aplicado em qualquer uma das etapa trará consequências para as próximas e essa condição determina a necessidade de um acompanhamento constante e criterioso dos processos aplicados.
Nas atividades rurais e consequentemente na pecuária de cria, o custo das tecnologias é influenciado por variáveis controláveis e não controláveis. Essa condição obriga aos gestores a avaliarem de forma cuidadosa, baseados nas pesquisas desenvolvidas, a magnitude da resposta que elas, as tecnologias, ofertam. Os Sistemas de Apoio a Decisão (SAD) são importantíssimos nesse contexto, pois trazem informações concretas dos resultados alcançados.
O fluxograma acima, permite conhecer todas as etapas de produção, identificar as de maior, media ou pequena relevância no contexto, de dar percepção do grau de influência das etapas e das intervenções nos processos seguintes assim como identificar as que necessitam de interferência tecnológica para desenvolver melhor performance.
Como pode-se observar, na fase de cria, tudo começa com a seleção dos animais que participarão da estação de monta (EM). Bem verdade que decidir pela EM, que é uma tecnologia, já faz parte do processo decisório que pautado em dados dos registros dos nascimentos na propriedade, irá de forma natural determinar o melhor período para instalar a EM. Ou seja, percebe-se nesse primeiro exemplo a dependência sistêmica das etapas.
As tecnologias são divididas em tecnologias de insumos e de processos. Eles se desenvolvem paralelamente e muitas vezes com forte ou total interdependência entre si. Um exemplo pode ser o sistema de desmama precoce que é uma tecnologia de processo, mas que precisa de uma suplementação nutricional (para os bezerros apartados), que é uma tecnologia de insumos. A falta de compasso entre elas pode comprometer os resultados e o produtor pode perder a noção, ou a ideia, ou ainda a certeza de qual evento, (insumo ou processo) interferiu no resultado alcançado.
Para isso os pesquisadores referenciados acima sugerem um sistema de introdução progressiva de tecnologia, que permite avançar na melhoria do plantel e dos resultados quantitativos tanto em produção quanto em retorno financeiro como um todo, e de forma integrada que eles chamaram de suporte a introdução de tecnologia .Um avanço gradativo dos processos e requisitos básicos avançando até o manejo tático e contingencial.
Dentro das perspectivas apontadas na figura entende-se como processo e requisitos básicos a gestão do conhecimento e dos processos, tais como:
a)      Biótipos adaptados (raças e cruzamentos)
b)      Composição de rebanho (% de novilhas, primíparas, secundíparas, touros)
c)       Época de monta e parição (duração, estação do ano, disponibilidade de pasto)
d)      Descarte e seleção (eliminação de vacas vazias e absorção de novilhas precoces)
e)      Sanidade (prevenção)
f)       Lotação
Continuaremos com o final do artigo na próxima edição.
 
 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

MERCADO DO BOI GORDO

Veja o comportamento do mercado físico do boi gordo na semana.


Cotação Boi gordo / 20.01.2014
PRAÇA
Salvador
Teixeira de Freitas
Amargosa
Itapetinga
São Paulo. BM&F
@/ R$
R$ 110,00
R$ 100,00
R$ 108,00
R$ 107,00
R$ 114,00
Base Posto Frigorífico.Pagamento 30 dd. Fonte: Gepecorte

E o mercado futuro como sinaliza para os próximos meses

Mercado Futuro / 17.01.2014
MESES
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
@/ R$
R$ 112,97
R$ 111,60
R$ 109,35
R$ 108,71
R$ 108,89
R$ 109,18
Fonte: BM&F. Beef  Point
 
 
 
 

SUPLEMENTAÇÃO MINERAL – UM ITEM IMPORTANTE NA GESTÃO DA PRODUÇÃO


De “praxe”, escrevo sobre gestão, mas estudo muito sobre a área de produção, pois gerenciá-la faz parte do ambiente sistêmico da administração e torna-se empolgante para aqueles que amam a pecuária.
A área de produção em qualquer atividade é a primeira a gerar fatos, informações, demandas, etc, pois ela comanda o espetáculo! Tudo depende do que produzimos, de como produzimos, para quem produzimos, quanto e quando produzimos. Administradores chamam a área de produção de coração do sistema administrativo.
A suplementação mineral, faz parte do “como” produzimos no processo de produção. Ela é uma atividade fundamental para a saúde do rebanho e por isso decidi por abordá-la tecnicamente nesse texto.
Suplementar significa acrescentar alguma coisa ou ainda preencher uma deficiência, portanto através da suplementação podem ser fornecidos diversos nutrientes ao animal que possam contribuir para melhorar a saúde animal, o desempenho reprodutivo, produtivo, de ganho de peso, de melhoria da carne etc.
Uma das mais importantes suplementações para bovinos no Brasil é a mineral, em função do baixo teor de alguns minerais tais como fósforo, cálcio, magnésio e potássio nos solos brasileiros. Essa é uma regra geral para todo o país, com pequenas variações no seu amplo território.
A oferta de alguns minerais, através do consumos de forragens naturais como pastagem e silagem, chega a no máximo 70% das necessidades básica diárias de um bovino em processo de produção de carne ou de leite. Patologias graves podem ser causadas pelo baixo consumo de macro e micro minerais, gerando perdas produtivas e econômicas no plantel. Por isso suplementar com sal mineral se torna tão importante para a produtividade da fazenda.
O consumo de suplemento mineral pelos bovinos pode variar em função de muitos aspectos que devem, inclusive serem observados pelos produtores de forma a que a oferta gere resultados positivos e não custos adicionais na planilha de caixa. São eles:

a)      Fertilidade do solo e tipo de forrageira: Pastagem melhoradas permitem menor consumo de mineral
b)      Estação do ano: Na época seca, em função do aumento no teor das fibras das forrageiras, a digestibilidade é dificultada e o suplemento mineral é mais procurado pelo animal como forma de compensar essa falta de disponibilidade.
c)       Exigência individual: Quanto mais elevado o nível de produção, maior será o consumo. Durante a gestação e lactação por exemplo há uma representativa elevação na carência mineral e consequentemente no consumo do mesmo.
d)      Salinidade da água ofertada: Se a água ofertada for salobra há um menor consumo dos minerais já que o fonte de palatabilidade do mineral é o NaCl (cloreto de sódio- sal comum) adicionado à mistura dos outros macro e micro elementos.
e)      Palatabilidade da mistura: A depender do tipo de mistura ofertada o animal irá consumir mais ou menos gramas dessa mistura. O consumo menor ou maior gera distorções ou no animal ou no bolso do produtor.
f)       Frequência na oferta: Fornecimento de suplemento mineral deve ser diário ou no máximo a cada dois dias. A mistura exposta ao tempo sofre variações que podem dificultar o consumo.
g)      Forma física dos minerais: Blocos de minerais, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Sal Mineral) ASBRAM, geram um consumo 10% inferior aos minerais ofertados em forma de pó.
h)      Cochos: Localização, dimensão, altura e disposição interferem decisivamente no consumo de minerais.*

COCHOS MAL LOCALIZADOS E SEM MANUTENÇÃO
Observar e anotar o consumo de mineral, por lote da propriedade é uma forma importante de ter sob controle o consumo diário do suplemento. Em caso de variações representativas tanto para mais como para menos o gestor precisa avaliar os motivos e corrigir rapidamente, pois essas alterações promovem uma quebra no fluxo normal de produção dos animais e de reposição de produto.
Essa característica sistêmica das organizações pede atenção especial em todas as etapas dos processos, sejam eles administrativos ou produtivos. Às vezes o gestor não se preocupa com um saco a mais ou a menos de mineral consumido, mas este pode ser de fato uma fonte de problemas futuros.

*A Gepecorte dispõe de plantas de cocho, com suas dimensões adequadas assim como fichas de controle de consumo.se precisar é só consultar.

Bibliografia:
www.tortuga.com.br
Guia prático para correta suplementação pecuária – Publicação Asbram

 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

ALIANÇAS ESTRATÉGICAS


O último texto que eu escrevi para o blog abordou a questão da integração da cadeia produtiva da bovinocultura e no final tocou sutilmente no assunto de alianças mercadológicas. A forma sutil deve-se ao fato de que não caberia naquele momento um aprofundamento do tema já que ele pode ser trabalhado num texto específico como será feito agora. Abordaremos porém, as alianças estratégicas de uma forma ampla.

As Alianças Estratégicas, enquanto arranjos organizacionais estruturados e formais começam a ser motivo de estudo a partir da década de 70.De lá para os nossos dias atuais, segunda década do século XXI, muitas mudanças sociais e econômicas aconteceram, exigindo das organizações maior eficiência.
Um público mais exigente, uma concorrência mais acirrada, tecnologias inovadoras disponíveis no mercado a cada segundo, recursos naturais em escassez dentre outras mudanças drásticas exigiram mudanças organizacionais relevantes e quebra de alguns paradigmas para que as organizações se adaptassem ao novo sistema. Tudo isso aconteceu também para a pecuária de corte.
Os autores teóricos apresentam muitas soluções estratégicas para se alcançar a tal da eficiência. Alguns apontam no sentido das organizações buscarem maior eficiência através de redes organizacionais que são mais conhecidas por: alianças estratégicas, joint ventures, terceirização, subcontratação, consórcios, redes de cooperação, clusters etc.
As redes são definidas portanto como “grupo de organizações com interesses comuns, que se unem para a melhoria da competitividade de um determinado setor ou segmento e cooperam entre si”. É fundamental que elas mantenham a sua independência e autonomia e estejam ligadas a quatro objetivos estratégicos:
a) vantagens baseadas na busca de complementariedade, como, por exemplo, aumentar a penetração em novos mercados ou ampliação dos mercados atuais,
b) criação de poder de compra, por exemplo, em acordos de redução de custos de suprimentos ou de aumento de poder de mercado, em função do peso econômico, da imagem e da reputação;
c) ampliação de base técnica, como atividades de pesquisa e Desenvolvimento;
d) ampliação dos conhecimentos: redes de cooperação podem, através de aprendizagem coletiva, gerar os conhecimentos e as informações necessárias a cada membro (Jeronimo, 2005).
A principal característica de uma aliança é a independência das empresas envolvidas na parceria. As alianças permitem às empresas compartilhar recursos para atingir um objetivo comum sem, contudo, abrir mão de sua autonomia estratégica e de interesses específicos (Dussauge e Garrette,1999). Assim as alianças são formas de obtenção de vantagens de custo ou de diferenciação dos elos verticais, sem a imobilização de capital em integração vertical ; no entanto, no caso das alianças estratégicas surgem dificuldades de coordenação entre empresas puramente independentes.
No quadro abaixo pode-se observar as formas possíveis de cooperação entre as empresas no sentido de melhorar a eficiência global.
Quadro 1:  Formas de cooperação em modelos de redes organizacionais
Categoria das Inter-relações
Fontes de inter-relação
Formas possíveis de cooperação
AQUISIÇÃO
Insumos adquiridos
·         Aquisição conjunta
TECNOLOGIA
·         Tecnologia comum dos produtos
·         Tecnologia comum dos processos
·         Tecnologia comum em outras atividades de valor
· Desenvolvimento conjunto de tecnologia
·Projeto de interface conjunto
INFRAESTRUTURA
·    Necessidades comuns de infra estrutura da empresa
· Capital comum
·  Levantamento compartilhado de capital (Financiamento)
·   Contabilidade compartilhada
·    Assessoria jurídica compartilhada
·    Relações com o governo compartilhadas
·  Contratação e treinamento compartilhados
PRODUÇÃO
·         Localização comum de matérias-primas
·          Necessidades comuns de suporte de fábrica.
·         Logística interna compartilhada
·         Atividades indiretas de produção compartilhadas.
MERCADO
·         Comprador comum
·         Canal de compras comum
·         Mercado geográfico comum
·         Marca registrada compartilhada
·         Venda cruzada de produtos
·          Pacote de vendas
·         Departamento de marketing compartilhado
·         Rede compartilhada de serviço/suporte
FONTE: Porter 1989
Alguns modelos de alianças estratégicas podem ser considerados de sucesso, nos quais as partes conseguiram melhorar sua eficiência econômica, alcançando mercados maiores e mais distantes como por exemplo:
1.       Fazenda Santa Fé em Goiás
             Confina 19000 bois/ano.
            Para garantir a qualidade dos animais que adquire para recria e engorda foi obrigada a formar         parcerias com criadores.
As regras foram estabelecidas de forma a dar níveis de garantias equivalentes a ambos os lados.
      2.       Guarapuava – Paraná
               Aliança entre produtores do município com frigoríficos e redes de varejo.
               18 produtores unidos conseguem fornecer de forma direta aos frigoríficos com uma frequência        maior do que quando individualmente e os frigoríficos atendem satisfatoriamente a rede de varejo
Esses casos não são acompanhados pela Gepecorte e os dados foram fornecidos por outros parceiros. Pode-se determinar portanto e sem dúvida, que as alianças são possíveis e podem ser uma solução para pequenos e médios produtores conseguirem resultados melhores para seus empreendimentos.
Adriana Calmon de Brito Pedreira
MSc. em Administração Estratégica
Fontes:
BRAGA, Marcelo. Redes, alianças estratégicas e intercooperação: o caso da cadeia produtiva de carne bovina. UFV 2008
CAMPEÃO, Patricia; SPROESSES, Renato Luiz; VELASQUES, Murilo; MARQUES, Heitor . Alianças estratégicas em bovinocultura de corte. XXVI ENEGEP. Fortaleza 2006
JERONIMO, F.B. A confiança em redes: a experiência de uma rede formada por sete cooperativas do setor agroalimentar no Rio Grande do Sul. 173f. 2005. Dissertação (Mestrado) - CEPAN/Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.  
PORTER, M.E. Estratégia competitiva: técnicas para a análise de indústrias e da concorrência. Tradução de Elizabeth Maria de Pinho Braga