sexta-feira, 7 de agosto de 2015

CONTROLES – UMA FERRAMENTA PARA TOMADA DECISÃO

                                                                                               Adriana Calmon de Brito Pedreira
                         MSc. em Administração Estratégica


Já abordado em textos anteriores, a necessidade do gestor das empresas rurais pôr em prática o chamado Processo Administrativo, que envolve as 4 funções básicas dos administradores que são planejar, organizar dirigir e controlar, é de suma importância para as organizações. Esse texto abordará um dos itens do processo que são os CONTROLES - controles produtivos, administrativos, comerciais e financeiros.

Dando início ao Processo Administrativo, a etapa de controle muitas vezes é considerada a última, porém cabe uma ressalva no sentido que essa etapa deve acompanhar todo o processo e suas outras etapas avaliando, comparando e trazendo dados importantes a todo momento, visto que justamente por ser um processo, a administração precisa de ajustes constantes.

Ajustes constantes???

Sim, a empresa é dinâmica, é processual, é sistêmica, é holística, é integrada no ambiente e por isso conforme a movimentação externa é necessário que ajustem sejam feitos constantemente. Da mesma forma as movimentações internas podem exigir novas atividades, planejamentos e metas. Um planejamento não pode ser estático nem eterno.

O que permite aos gestores ajustarem seus rumos, ou ajustarem suas trajetórias, são os dados colhidos no ambiente interno e externo das suas propriedades ou das suas empresas. Esses dados são chamados de registros, ou controles que espelham o que foi fato no passado e que ao serem analisados podem trazer respostas sobre o que de fato aconteceu ou possa a vir acontecer na organização.

Muitas propriedades possuem dados registrados e datados de mais de 10 anos, porém esses dados muitas vezes são apenas coletados e colocados em pastas e arquivados. São os autênticos arquivos mortos. Dessa forma a energia gasta com a produção de controles está totalmente desperdiçada e sem nenhuma função administrativa, financeira, produtiva ou comercial.

Sendo assim, cabe observar que a atividade de controle apresenta quatro fases distintas:

1)      Estabelecimento de padrões: podem ser padrões determinados internamente ou coeficientes técnicos padrões da atividade;

2)      Mensuração do desempenho: acompanhar os fatos registrando os dados;

3)      Comparação entre obtido e esperado: Análise. Esta é a fase mais importante do controle, pois de nada adiante determinar padrões e mensurar resultados se não houver uma análise dos motivos que levaram ao alcance ou não dos padrões determinados.

4)      Ação corretiva: É a aplicação do processo administrativo, pois a ação corretiva implica em reestruturar o planejamento e dar início a um novo ciclo baseado em novos padrões, novos procedimentos, técnicas, pessoas, etc.

É importante estar atento aos padrões determinados e aos coeficientes técnicos adotados, pois alguns fatores podem interferir de forma direta no alcance ou não desses coeficientes, causando ou uma frustração, ou uma ideia de desempenho superior irreal. Esses fatores podem ser:

a)      Tipo de exploração: Uma exploração intensiva tem resultados totalmente diferentes das explorações totalmente ou semi extensivas. Lavoura irrigada, adensada também produzem diferente de lavouras de cultivo tradicional;

b)      Local de produção: Regiões diferentes possuem características físicas, legais, ambientais, meteorológicas diferentes e não podem responder da mesma forma.

c)       Mercado: As exigências do mercado interferem diretamente no modo de produção o que faz com que os coeficientes nem sempre possam ser semelhantes.

Na atividade rural existem controles de vários tipos, como foi dito anteriormente: os produtivos – aqueles que registram os dados da produção da propriedade, os financeiros – que refletem os resultados entre despesas, receitas e investimentos, os administrativos – que demonstram dados de pessoal, de movimentação, de logística e por fim os comerciais - que traduzem volumes e tipo de vendas, saldos, clientes etc. Caberá ao produtor eleger os que pretende acompanhar e definir os parâmetros adequados ao perfil do empreendimento.

Os índices financeiros podem ser: giro de caixa, liquidez, endividamento, lucratividade. Já os índices administrativos podem ser o volume de horas extras, a rotatividade dos funcionários, total de despesas administrativas. Quando pensamos nos índices comercias já focamos na comercialização dos produtos: custos relacionados a venda, volume de venda, períodos de maior e menor comercialização, preços de venda ao longo do ano e em índices históricos. Por fim os produtivos, que são aqueles que os produtores têm maior familiaridade e mais gostam de apurar: taxa de natalidade, taxa de fertilidade, taxa de desfrute, taxa de abate, rendimento de carcaça, taxa de mortalidade, ganho de peso.

Não só analisar os controles avaliando os resultados obtidos, como também fazendo uma comparação entre eles é fundamental para que seja apresentado o retrato da propriedade e não uma caricatura. Muitas os resultados produtivos são excelentes e os econômicos financeiros são horríveis, o que indica uma necessidade de ajustar o sistema produtivo.

Outras situações podem ocorrer como termos excelentes resultados financeiros e baixíssimos índices produtivos, são raros esses casos, mas acontecem e normalmente indicam uma capacidade ociosa de produção. Pode-se também observar as vezes, que os resultados financeiros são consequência de uma má gestão comercial ou administrativa e não produtiva.

Sendo assim, observa-se com consistência como os controles organizacionais são fundamentais no processo administrativo e que os produtores devem estar atentos a análise deles.

Abaixo, o leitor pode encontrar algumas fórmulas para ajudar a calcular os índices obtidos.

Cálculo do índices:

ECONÔMICOS - FINANCEIROS:

 
Lucratividade = Resultado Líquido  
                             Receita Total

(Para cada R$100,00 vendidos, quanto é de ganho líquido)
 

Liquidez = Disponível + contas a receber + estoques
                                    Passivo total 

(Para cada R$100,00 em dívida, quanto se tem para pagar)


Margem de Contribuição = Preço de venda – custos variáveis (absoluta)

Margem de Contribuição % = Preço de venda – custos variáveis
                                                             Preço de venda

(Quanto do valor de venda do produto está comprometido com os custos)
 
Ponto de equilíbrio R$ =                    custos fixos                    .
                                              (Receita total – custos variáveis)
                                                                   Receita total

Ponto de equilíbrio Un =                    PE R$                    .
                                                        Preço de venda (Un.)

(Montante de produto a ser comercializado para cobrir todas as despesas fixas e variáveis)
 
 
 
PRODUTIVOS:
 
Taxa de fertilidade %=   Número de vacas cheias
                                       Total de vacas em estação
 
Taxa de natalidade % = Número de bezerros nascidos
                                        Total de vacas em estação
 
Taxa de desfrute % = Número de animais excedentes
                                        Total do rebanho
Taxa de abate % =      Número de animais abatidos
                                        Total do rebanho
 
Rendimento de carcaça % =      Peso morto       (frigorífico)
                                                         Peso vivo            ( vivo com 14 horas de jejum)
Produtividade do rebanho/ha =      Kg de carne disponível para o abate
                                                                           Total de hectares
 
Bibliografia:
Araújo, Massilon. Fundamentos do Agronegócio. São Paulo. Atlas.2003
Corrêa, Afonso Nogueira. Gado de Corte: o produtor pergunta. EMBRAPA SPI. Brasília, 1996
Pires, Alexandre Vaz. Bovinocultura de Corte. Vol II. Piracicaba. FEALQ.2010
Souza et al. Administração da Fazenda. São Paulo. Globo 1990

Mercado do Boi

Boi gordo: aos poucos, o mercado resiste a novas quedas e recupera a firmeza nas cotações
Há forte resistência à continuidade do movimento baixista após as reduções de preço dos últimos meses.
A arroba do boi gordo subiu em São Paulo, cotada em R$143,00, à vista, na região de Araçatuba.
No total, foram registradas altas para os machos terminados em oito praças pecuárias. Em duas praças as cotações caíram....
No mercado atacadista de carne bovina com osso os preços tiveram alta, com o boi casado de bovinos inteiros e castrados cotado em R$9,25/kg e R$9,45/kg, respectivamente.
Os aumentos ocorreram em razão do estoque mais enxuto e do melhor escoamento da produção.
Porém, em curto prazo, após o Dia dos Pais e com a chegada da segunda quinzena do mês, o ritmo do consumo pode voltar a diminuir.
Fonte: Scot Consultoria
 
"Sempre defendemos o uso do milho grão moído nas dietas para os bovinos em semi e confinamento.
O trabalho abaixo fortalece os nossos argumentos, e justifica amplamente porque os núcleos que usamos nesta dietas preconizam o milho grão moído"

Análise de Amido fecal em bovinos confinados e semi confinados


Com a intensificação dos sistemas de produção da carne bovina brasileira, o número de animais confinados vem crescendo anualmente. Segundo a ANUALPEC (2012), 3.876.350 bovinos foram confinados no Brasil, número este revertido para 4.672.543 em 2014. Concomitantemente, a inclusão de ingredientes concentrados na dieta desses animais também está em expansão, por fatores como:
-Taxas de ganho mais alta e um acabamento mais rápido;
-Menor consumo de massa seca, o que melhora a conversão e eficiência alimentar;
-Menor custo e facilidade de logística.
Dos nutrientes existentes neste tipo de dieta, o amido é o maior componente e o que fornece a maior quantidade de energia digestível consumida pelos bovinos. Então, a avaliação da perda de amido pelas fezes dos animais pode ser uma solução barata e prática para se detectar problemas de manejo e digestibilidade. A digestibilidade do amido pode variar de diversas maneiras, principalmente com o tipo de grão do cereal e o processamento do mesmo.
Um levantamento de dados realizado por Oliveira e Millen (2014), consultou 33 nutricionais de confinamentos, e reportou que o milho é o principal grão utilizado nas dietas com 87,5% e que o tipo de grão mais usado, com 96,5%, é do tipo Flint, ou duro, seguido do milho dentado com 3,5%
De acordo com Michalet Dorean (1999) o milho Flint apresenta 46,2% menos área de superfície de contato do que o milho dentado, o que diminuiu sua área de exposição e a colonização das bactérias que o degradarão, reduzindo a digestibilidade e consequentemente aumentando as perdas de amido fecal. Por essa razão, é importante escolher um tipo de processamento do grão que otimize a ação da população microbiana, elevando a digestibilidade, diminuindo os teores de amido fecal e otimizando sua produção.
O milho moído é um dos processamentos mais utilizados e com alta digestibilidade (90%). Existem outros processamentos como a floculação e a laminação a vapor com digestibilidades de 98,9% e 92,2%, respectivamente; porém o custo de processar é mais elevado. (ZEOULA E CALDAS NETO,2001)
Em um experimento realizado por Caetano (2008), em que avaliou-se o efeito do grupo genético (Nelore Puro e Cruzado com Angus) e período de coleta de fezes (manhã e tarde) no teor de amido fecal na dieta de bovinos confinados, concluiu-se que o maior teor de amido fecal está no período da manhã, com 7,5%, em relação ao período vespertino (3,7%). Em relação ao grupo genético, os zebuínos apresentaram teor de amido fecal 28% maior que os cruzados, devendo-se ao fato de que talvez animais zebuínos são mais sensíveis a dietas com altos teores, o que pode acarretar em distúrbios metabólicos. Desta forma, o teor de amido fecal pode se elevar, já que a degradação do amido no trato digestivo de animais Zebuínos ficará comprometida.

Assim sendo, quanto menor o teor de amido fecal em bovinos confinados, significa que o milho está sendo bem aproveitado pelo animal. O ideal seria que teor de amido fecal não ultrapassasse 3%, sendo aceitável valores de até 10%.
Para a utilização do teor de amido fecal como parâmetros de manejo, o horário de coleta deve ser padronizado e animais de raças diferentes devem ser comparadas separadamente. Os teores de amido fecal são avaliados em laboratórios especializados e está à disposição do produtor que controla sua produção de maneira rígida e correta, fornecendo meios para monitorar seu empreendimento de forma prática, segura e barata, ajudando a alcançar melhores índices produtivos.

Laís de Aquino Tomaz
Graduanda em Zootecnia
Diretora de recursos humanos do Grupo NERU/NELL
UNESP - Dracena

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Miguel Cavalcanti. Beef Point


Uma galinha pode produzir mais carne que uma vaca?

Me fizeram essa pergunta alguns dias atrás... :-)

Fui fazer uma palestra em Foz do Iguaçu, PR, num seminário de altíssimo nível, organizado pela COBB, empresa líder mundial em genética avícola de corte. Era o encontro que acontece a cada dois anos, com os principais clientes e parceiros da empresa.
Gente de todo o Brasil, e também do exterior. Donos e executivos de empresas de ponta na área de aves de corte. E como de costume, muita gente também tinha gado de corte como um segundo negócio... Gente que diversifica seus investimentos com pecuária de corte. Ou seja, minha palestra era interessante para o público por dois motivos: entender uma proteína concorrente e também para melhorar o negócio secundário de muitos dos presentes.
No jantar, após a palestra, muita gente veio conversar comigo, e aproveitei para aprender mais sobre esse mercado, que é muito importante. O consumo de frango cresce no mundo de forma mais forte que a carne bovina - por conta de preço.
Conversando com um proprietário de uma empresa de produtora de frangos de corte, e que também tinha gado de corte, ele me perguntou, com uma cara de brincadeira: Você sabia que uma galinha produz mais carne que uma vaca?
Eu olhei com uma cara de curioso, sorri, e perguntei:

Como assim? :-)

Ele me respondeu: uma galinha coloca 150 ovos por ano, e cada ovo desse vai produzir um frango de 3kg. Ou seja, uma galinha vai produzir em apenas um ano, 450kg... Coisa que uma vaca não vai conseguir, lembrando que a gestação é de 9 meses... Fiquei encucado com aquela conversa...

Nesse mesmo evento, pude assistir palestras e conversas sobre genética de aves. Impressionante como estão avançados, impressionante as métricas, os avanços anuais e como conversam sobre genética. Em nenhum momento falaram sobre um determinado animal, determinada raça, etc.
Falavam sobre características genéticas de real interesse econômico, de medidas que realmente influenciavam o negócio. Produção de carne, conversão, mortalidade, tudo de uma forma muito aplicada a produção final, a última linha, que é o resultado financeiro.
Na viagem de volta, fiquei lembrando dessas duas coisas: que uma galinha pode produzir mais carne que uma vaca, e que a genética de aves está mais "profissionalizda", no sentido de falarem 100% do tempo sobre variáveis que vão trazer real valor econômico para o negócio.
Eu fiquei impressionado... E fiquei preocupado com a carne bovina no médio-longo prazo... Se somos menos eficientes para produzir proteína animal, e além disso estamos andando mais devagar que eles, e ainda, estamos "gastando" nosso tempo tratando de temas "acessórios" a produção de carne, a tendência é que nossa competitividade comparada se reduza com o tempo...

E aí, o que vamos fazer?

É claro que eu acredito no potencial da carne bovina. É claro que eu acredito no futuro da carne bovina.
Carne é um produto "centro de prato", é a primeira opção, é a carne da celebração. É a carne da festa, do churrasco, do jantar romântico. É escolhido, é comprado porque é mais saborosa, não porque é a mais barata (há muitos e muitos anos que a carne bovina é mais cara que o frango).
Outro ponto, que foi destacado há alguns anos pelo Leonardo Alencar, um dos analistas de mercado que eu mais respeito: no Brasil, ainda existe um enorme gap de produtividade, podemos aumentar muito a eficiência do setor e com isso ter custos ainda mais competitivos, como setor. Uma observação que não se aplica a todos os países produtores de boi gordo, mas que se aplica muito ao Brasil.

Mas fica aqui nosso dever de casa, de focar no que realmente importa, em medidas que realmente tragam resultados econômicos. E que possamos gastar menos tempo discutindo qual a melhor raça, e mais tempo trabalhando para tornar a pecuária mais competitiva, e mais eficiente em relação a outras proteínas de origem animal. Esses são nossos reais concorrentes.

por Miguel Cavalcanti
Beef Point

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Reflexões sobre o mercado do bezerro x boi gordo


Risco. Um elemento adicional que um amigo me lembrou foi a questão do risco. Apesar da cria ter tradicionalmente uma rentabilidade mais baixa, ela também tem um risco mais baixo. Essa pode ser uma boa explicação do motivo de muitos produtores preferirem atuar na produção de bezerros ou até mesmo ciclo completo, do que ter que incluir o risco de compra no seu negócio. Por exemplo, quem comprou bezerro esse ano a preços altos de alguma forma está correndo risco pois não tem ainda definido o preço de venda do seu gado gordo em 2015 ou 2016.

40% de ágio. Citei o dado do Marcelo Pimenta da Exagro, mas gostaria de ter acesso a outras simulações. Se você concorda ou discorda desse patamar de equivalência, comente esse artigo. Levando em conta que o valor é esse mesmo, ou seja, é preciso que o bezerro tenha 40% de ágio sobre o preço do boi gordo para ter a mesma rentabilidade, o que podemos esperar desse mercado?

Minha leitura é que a tendência é termos ágio no preço do bezerro mais próximo dos 40% e mais distante dos 16%, valor médio dos últimos 10 anos. A explicação é que toda vez que o ágio estiver abaixo de 40%, o criador tem um estímulo econômico para sair da cria, ou começar a fazer ciclo completo. E com isso a relação demanda-oferta de bezerros tende a pressionar por preços mais altos. Meu recado é: se prepare a pagar um ágio entre 30-40% do preço do boi gordo, ou até mais, ou opte por entrar na cria.

Uma das alternativas para um cenário como esse é que o recriador-engordador vai precisar descobrir novas formas de ganhar dinheiro, mesmo comprando um bezerro bem mais caro que a média dos últimos 10 anos. Isso não é impossível, e a maioria dos países já vive isso há anos. Uma saída é vender animais com peso de abate mais elevado. Em especial, se você tiver acesso a técnicas de manejo de pasto, suplementação, semi-confinamento e confinamento. E principalmente se a relação de preço entre o milho e o boi gordo continuar favorável, como está hoje em dia. Quanto mais barato o milho estiver em relação ao boi gordo e ao bezerro, maior o estímulo para se suplementar / confinar, e se abater com pesos mais altos.

Maior qualidade. O aumento dos preços do bezerro e do ágio em relação ao boi gordo estimulam um outro fenômeno. A medida que se torna economicamente mais vantajoso investir na cria, mais produtores de alta performance vão se interessar pela atividade. E com isso se aumenta a produção, mas também se aumenta a qualidade. Preços mais altos representam a oportunidade de se produzir mais bezerros de alta qualidade, com uso de melhor genética, manejo e suplementação.

Comercialização. Minha visão é que a medida que os preços aumentam, e também aumenta a variação de qualidade do produto bezerro, os melhores produtores de bezerros e também os melhores compradores vão buscar formas mais efetivas de comercialização. Acredito que vender por kg de peso vivo é muito mais eficiente e transparente do que se vender por cabeça. Acredito que isso faz muita diferença.

Além disso, a tendência é se vender com mais informações. Por exemplo: qual é a genética, vacinas, qual foi a suplementação pré-desmama, etc. Animais com genética melhoradora criados com creep-feeding são excelentes para sistemas de produção de alta intensificação, mas podem ser um mal negócio para fazendas com pastos degradados.

Há um projeto iniciado esse ano no RS com consultoria do Fernando Velloso, de leilões virtuais pelo canal rural, com muito mais informações por lote do que estamos acostumados. É uma iniciativa muito interessante e alinhada com o que vimos de mais moderno nesse quesito nos EUA e no Uruguai.

Outra avaliação lembrada por nossos leitores é que olhar apenas a relação de troca pode te levar a decisões erradas. Qual é o melhor bezerro: um de baixa qualidade, baixo peso e baixo preço, que dá uma relação de troca melhor, ou um bezerro de genética de ponta, criado com suplementação e pronto para entrar num confinamento, mas com preço bem mais alto, o que gera uma relação de troca mais baixa. Ao focar apenas no preço por cabeça e relação de troca, você teoricamente poderia até comprar um bezerro de pior qualidade e com preço maior por kg de peso vivo, mas com boa relação de troca.

Para finalizar, relembro uma conversa que tivemos no Workshop do BeefPoint de Gerenciamento de fazendas de gado de corte do ano passado, onde perguntei a inúmeros consultores presentes na sala, quais tinham, num passado recente, sugerido a seus clientes que não faziam cria, que começassem a criar. Todos disseram que vinham fazendo justamente o contrário, e a única exceção foi um consultor amigo meu de longa data que lembrou de um projeto montado apenas com cria. Escolha baseada numa premissa do cliente, que queria não o negócio mais rentável, mas o projeto com menor risco. A fazenda era de um grupo de outro setor que queria diversificar em pecuária, e o foco era preservação de capital, e não alta rentabilidade.

Em resumo, minha análise é:
1- se o ágio que equipara a rentabilidade da cria com recria-engorda está na casa dos 40%, espere preços do bezerro com ágio mais próximos de 40% do que 16%.
2- maior preço do bezerro tende a significar mais investimentos na cria, e crescimento da oferta de bezerros de alta qualidade, mas não espere que esses criadores mais tecnificados e que fazem mais conta, aceitem uma rentabilidade muito menor do que o elo seguinte da cadeia. Produtores focados em rentabilidade não ficam num negócio pouco rentável por muito tempo, mudam de atividade.
3- a valorização da cria deve aumentar a velocidade de modernização da comercialização de bezerros no Brasil.

Miguel Cavalcanti
BeefPoint

terça-feira, 29 de julho de 2014

A polêmica proibição das avermectinas de longa ação

O Brasil tem reinado quase que absoluto como maior exportador mundial de carne bovina neste século. Há a expectativa de que o faturamento neste ano possa ultrapassar os US$ 6 bilhões. Esses números são bastante positivos, porém, ao mesmo tempo, implicam em enorme responsabilidade, uma vez que pequenas falhas no processo podem levar a imensos prejuízos. Sempre bom lembrar que os EUA perderam o posto para o Brasil, exatamente por conta da ocorrência da doença de vaca louca por aquelas bandas em 2003.
Assim, é de se esperar daqueles que têm a obrigação por zelar por essa conquista da pecuária brasileira uma conduta que, entre arriscar na omissão e tomar decisões fortes, opte pela segunda. Isso ocorreu no finzinho de maio deste ano, quando o Ministério da Agricultura proibiu fabricação, venda e uso de avermectinas de longa ação (ALA) com concentração acima de 1% deste princípio ativo (PA) [1]. As ALAs protegem animais de parasitos por até 155 dias, mas exigem maior período de carência (acima de 35 dias).
Esta proibição foi feita em resposta às repetidas ocorrências de resíduo acima do permitido na carne industrializada exportada para os EUA, que, apesar de representar apenas 3,4% do faturamento da exportação do setor, poderia desencadear problemas de venda para outros mercados. Além disso, exatamente neste momento, estão sendo realizados esforços para a liberação de exportação para os EUA de carne brasileira in natura.
Esse problema começou a partir de 2010, quando os EUA reduziram o limite máximo de 100 ppb (medido no fígado) para 10 ppb (medido no músculo). Após essa alteração, lotes que antes entravam normalmente, começaram a ser considerados fora de conformidade e devolvidos. O valor de 100 ppb é o limite máximo recomendado pelo “Codex Alimentarius” que é a referência usada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para coibir abusos em barreiras não-tarifárias, isto é, barreiras de acesso ao mercado que não tenham fundamentação técnica.
Em entrevista à revista DBO, o Prof. João Palermo Neto, da USP, explicou que não existe metodologia para medir o resíduo no conteúdo da lata e que, como nela há mais gordura, que é exatamente a porção onde as avermectinas se acumulam, o valor limite deveria ser mais alto. Reforçando essa questão, o limite exclusivamente para a gordura é 30 ppb, ou seja, três vezes maior que no músculo. Em função destas questões, o Brasil vem (há algum tempo) questionando, sem sucesso, esses critério usado pelos EUA para barrar a carne processada brasileira.
O problema está ligado, especialmente, às avermectinas de longa ação (ALA) por falta de se respeitar devidamente o período de carência. A carência é diferente para cada produto em função do PA e, também, da sua formulação.
Para animais terminados em confinamento, não há necessidade do uso de ALA, pois, uma vez que os animais ficam no ambiente sem pastagem, o ciclo dos vermes não se completa. Mesmo para bovinos terminados em pastagem que tenham idade superior a 20 meses de idade, podem ser usadas avermectinas 1% ou outros  PA também com período de carência reduzido, uma vez que os animais adquirem imunidade e são muito menos parasitados. Segundo meus colegas da sanidade, há, inclusive estudos em que animais com idade acima de dois anos terminados a pasto não houve efeito de tratamentos anti-helmíntico.
Ainda assim, há vantagem em se ter a ALA. Isso porque a vermifugação estratégica da Embrapa, utilizando  avermectinas  1% ou outros PAs,  em Maio-Julho-Setembro (5-7-9), ainda é o padrão de vermifugação vigente. Para quem utiliza esse sistema, não ter a opção de usar ALA é ruim, pois deixa-se de poder pular o mês 7. Assim, além das três dosagens mais baixas custarem mais, gasta-se mais com a mão-de-obra.
Abaixo, um exemplo de gasto nas duas situações, considerando um bezerro de 200 kg[2]:
1)      Vermifugação estratégica com ALA – 2 dosagens (maio-setembro): R$ 3,27
2)      Vermifugação estratégica sem ALA  - 3 dosagens (maio-julho-setembro): R$ 3,52
Portanto, há um aumento de custo, considerando apenas o medicamento, de quase 8%. Além disso, a ALA permite que sejam aproveitados os manejos de vacina da aftosa para fazer a vermifugação, o que tem enorme importância prática.
Para evitar o resíduo fora dos padrões na carne, mais informação aos usuários pode ajudar. Assim, ampliar a divulgação das melhores práticas de uso de cada produto é algo a se intensificar, ainda que isso funcione apenas se sensibilizar e contar com a adoção pelos pecuaristas. Também, especialmente enquanto durar a proibição, reforçar o controle conta a invasão de produtos clandestinos, especialmente no de estados fronteiriços, é fundamental.
Concluindo, se os produtos disponíveis hoje fossem usados corretamente, em especial com relação ao período de carência, não haveria o problema.  Enquanto vigorar a proibição, o grande prejuízo é com a necessidade de maior manejo e gastos com produto para as categorias mais jovens, para os quais, seria uma boa ideia a flexibilização da proibição.  Mas, ainda mais importante, é que a cadeia da carne aproveite essa crise para se aprimorar em todos os pontos colocados em xeque e, cada vez mais, ficar robusta para outras crises de comercialização que, certamente, teremos que enfrentar.

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte, agrônomo com mestrado (1992) e doutorado (2002) pela ESALQ/USP, especialista em nutrição animal, atuação em pesquisa com os seguintes temas: exigência e eficiência na produção animal, qualidade de produtos animais e soluções tecnológicas para produção sustentável. Nas horas vagas, toca violino e, de atividade física, nada! sergio.medeiros@embrapa.br

[1] Esse texto aproveitou para o seu conteúdo bastante de um debate interno na Embrapa Gado de Corte em que o Dr. João Batista Catto, pesquisador em parasitologista da Unidade, relatou um debate sobre o tema ocorrido também na Embrapa Gado de Corte e que pode ser assistido em http://www.sba1.com/noticias/40028/assista-o-debate-sobre-a-proibicao-das-avermectinas-no-rebanho-bovino#.U9PklvldXz6
 
[2] Agradeço ao Dr. João Bastista Catto  por esses dados e mais a revisão do conteúdo técnico do texto

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Reação vacinal em bovinos pode provocar perdas econômicas para o pecuarista

A reação vacinal pode provocar perdas de até R$ 50 por animal. Os prejuízos econômicos, provenientes de descarte de carnes, são causados por vários fatores, entre eles a aplicação inadequada das doses e a composição das vacinas.
A constatação faz parte do projeto Na Medida, desenvolvido em parceira com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Botucatu-SP, e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus de Sinop-MT. A iniciativa contou ainda com a participação das empresas Beckhauser e Frialto.
De acordo com o estudo, considerado o valor da arroba do boi em R$ 115, as perdas por reação vacinal podem chegar a aproximadamente R$ 50 por animal. Sobre a pesquisa, o coordenador do projeto e professor da Unesp, Roberto de Oliveira Roça, conta que foram avaliados 1.012 bovinos, divididos em 19 abates, durante o ano de 2013.
– Os resultados foram analisados de forma coletiva, com apresentação dos valores totais de cada lote avaliado – explica o pesquisador.
Ao calcular as perdas, o resultado da reação vacinal alcançou o valor máximo de 6,5 quilos por animal, considerando 1,65% de lesões em relação ao peso vivo pré-jejum.
– Isso indica que há necessidade de informação e treinamento da prática de vacinação na propriedade rural, para que as perdas sejam reduzidas”, conclui Roça.
O superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, acrescenta que medidas simples podem melhorar o manejo dos animais, como troca de seringas e a forma correta de aplicação das vacinas.
– Além disso, é preciso que o setor da pecuária discuta com as empresas de medicamentos e com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento a eficiência e composição das vacinas comercializadas no país – pontua Vacari.
O médico veterinário da Acrimat, Guilherme Nolasco explica que por serem vacinas oleosas, a forma de aplicação precisa ser mais cuidadosa.
– A absorção desse tipo de vacina é mais lenta e se mal aplicada pode provocar edemas, abcessos e contaminação da carne, cujos prejuízos são descontados no peso do animal no abate – diz Nolasco.
Ele lembra que a antiga utilização de doses aquosas diminuía com as perdas no processo de vacinação.
Outros problemas que podem prejudicar o rebanho e, consequentemente atrapalhar o ganho do pecuarista, são as condições estruturais do curral. Tábuas frouxas, piso sujo e encharcado podem aumentar o risco de contusões nos animais em função de escorregões e quedas.  A recomendação é que os pecuaristas percorram o caminho por onde os animais serão conduzidos, verificando se há pregos salientes, pedras, buracos, tábuas soltas, quinas, que podem prejudicar o andamento do manejo e causar danos aos animais.
Projeto Na Medida
O projeto visa reconhecer os pontos de divergências entre produtores e frigoríficos com relação a rendimento de carcaça. Animais que foram para o abate receberam o acompanhamento do técnico da Acrimat desde o manejo dentro da propriedade até a hora da pesagem de carcaça. Esses animais passaram por cinco pesagens, duas na propriedade, uma no ‘balanção’ da cidade, uma na balança Peso Vivo, que pertence a Acrimat e está instalada dentro do frigorífico e por último a pesagem de carcaça. As diferenças de pesos entre essas etapas apontaram onde e porque os animais perdem pesos.
FONTE: ACRIMAT.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Suspensão de embargo elevará venda direta de carne bovina à China

Depois de anunciar que a China retirou o embargo que impunha à carne bovina brasileira, o ministro da Agricultura, Neri Geller, estimou ontem que as exportações do produto para o país asiático devem alcançar de US$ 800 milhões a US$ 1,2 bilhão em 2015. O fim das restrições à carne bovina do Brasil foi comunicado ontem pelo presidente da China, Xi Jinping, em reunião bilateral em Brasília.
A China suspendeu as importações de carne bovina brasileira no fim de 2012 por conta de um caso atípico da doença da “vaca louca” no Paraná. Naquele ano, o Brasil exportou US$ 37,7 milhões do produto à China, contra US$ 2,5 milhões em 2009, ano em que o mercado chinês se abriu para a carne bovina brasileira.
Com a reabertura do mercado chinês, a expectativa é de que as vendas de carne bovina para Hong Kong recuem, uma vez que a maior parte desses volumes é direcionado atualmente para a China. Hong Kong foi no primeiro semestre deste ano o principal destino das exportações de carne bovina do Brasil, com um volume de 192,256 mil toneladas, que gerou receita de US$ 794,524 milhões.
Ele observou que os US$ 1,2 bilhão em carne bovina que o país pode exportar diretamente à China em 2015 equivalem a quase 20% das exportações brasileiras, que somaram US$ 6,6 bilhões no ano passado.
Segundo Geller, o crescimento da demanda chinesa por carne bovina nos últimos anos e a capacidade do Brasil de provar tecnicamente a segurança sanitária de sua carne foram os principais motivos para que a China decidisse pôr fim ao embargo. No primeiro semestre de 2014, por exemplo, as importações totais de carne bovina da China cresceram 30% em relação aos seis primeiros meses do ano passado, de acordo com ministro.
Neri Geller acrescentou que também foi fundamental para o fim do embargo um entendimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), que manteve o Brasil na classificação de “risco insignificante” com relação à “doença da vaca louca”.
De acordo com ele, o comunicado do governo chinês liberando as exportações brasileiras de carne bovina deve sair daqui a 30 dias no máximo.
O Brasil tem hoje oito frigoríficos ativos e habilitados para exportar à China: cinco no Estado de São Paulo, um em Mato Grosso, um no Rio Grande do Sul e um em Goiás, segundo o ministro. A outras nove unidades estão em processo de habilitação pelo Ministério da Agricultura.
Além da China, o Peru e o Irã também anunciaram o fim de embargos à carne bovina brasileira. “O único país que ainda restringe a importação da nossa carne e que estamos negociando para reverter é a Arábia Saudita”, destacou Neri Geller.
O ministro da Agricultura também informou que o Brasil deve conseguir em breve convencer a Rússia a pôr fim às restrições à carne suína brasileira. Em setembro uma comitiva do ministério viaja até o país para tentar avançar nesse assunto.
Fonte: Jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Gepecorte

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A morte súbita é um mal que já atingiu mais de 2,2 milhões de hectares de pastagens em Mato Grosso, segundo uma pesquisa feita em 2011, pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O terreno equivale a cerca de 8% da área total do Estado.
Morte súbita é também a suspeita do pecuarista Antônio Silva, de Guarantã do Norte (MT), sobre a causa das manchas no meio de seu pasto, que estão começando a aparecer. Ele conhece bem esses sintomas: já surgiram em outra propriedade dele e provocaram a perda de 30 hectares de pastagem de Brachiaria marandu, o braquiarão:
– Nessa parte que eu reformei gastei mais ou menos uns R$ 25 mil com trator, mão de obra, semente, sem contar o tempo. Se você não cuidar, vem essa juquirona brava, e se for gradear, tem que esperar o tempo de reforma, do capim nascer e formar pasto... Então demora demais e o prejuízo é grande – explica.
O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato de Grosso (Indea) está coletando solo em áreas atingidas para pesquisar quais os motivos da morte do capim. São colhidas parte da planta e do solo em pontos diferentes do pasto para montar amostras mais representativas. Sidiney Torres Gomes, gerente regional do Indea, explica:
– Este mal é bem característico e pelo solo também dá pra identificar, em função do broto; a Brachiaria passa por processo de clorose, depois de necrose e depois vem a morrer.
Os primeiros relatos de morte súbita surgiram há mais de duas décadas, mas ainda não existe uma causa definida para a morte do capim. O mal já resultou em perdas superiores a 80% da área de pastagem do Estado do Pará, por exemplo. As suspeitas maiores recaem sobre o encharcamento do solo, a seca e o ataque de pragas como cigarrinha e lagartas. As maiores perdas são em áreas plantadas com braquiarão, a forrageira mais comum em Mato Grosso.
– A gente não tem linhas de pesquisa que indiquem precisamente o que seria a morte súbita, nem sua causa e solução. Estamos sem solução no momento – declarou o engenheiro agrícola Rodolfo Luís Gabiati.
Enquanto não há cura para o mal, alguns pecuaristas estão tentando prevenir a ocorrência de novos casos. Os pastos que foram atingidos estão sendo reformados e o que sobrou do braquiarão está sendo substituído por outros capins com características bem diferentes. O mais usado tem sido o mombaça.
Na Fazenda Princesa, também em Guarantã do Norte, as perdas chegaram a 5% da área de pastagem de um terreno total de 450 hectares. Desde que o problema começou a surgir, há dois anos, boa parte já foi reformada e agora o desafio é se adaptar ao novo capim e resgatar o investimento feito:
A reforma traz dois custos: um é com o investimento em adubação, semente e todo o manejo para se fazer essa reforma. O novo custo é a adaptação ao novo manejo, já que manejar a mombaça é totalmente diferente do braquiarão. – afirma o gerente da fazenda Igor Zanon.
FONTE: CANAL RURAL.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Lavoura e pecuária devem gerar R$450,5 bilhões em VBP em 2014

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou o novo ajuste do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP).
A estimativa da renda a ser gerada em 2014 pelas principais lavouras e rebanhos, tendo como referência abril, é R$450,5 bilhões, 2,4% superior ao valor de 2013 e 0,9% maior do que o indicador projetado, tendo como referência março deste ano. Do total, a receita proveniente das lavouras representa 66%, e a originária da pecuária, 34,0%.
O VBP das lavouras deve ter aumento de 3,8% em relação a 2013. Os produtos que puxaram a alta da renda foram mamona (estimativa de receita 308,0% maior na comparação com o ano passado), algodão (69,7%), pimenta-do-reino (28,5%), laranja (27,9%), batata-inglesa (23,8%), cacau (15,1%), café em grão (11,9%) e banana (11,9%). Em outro sentido, houve retração de 44,1% nos cálculos de ganhos com a cebola e de 20% na receita relacionada à soja em grão.
Com relação à pecuária, o VBP deve ter ligeira retração de 0,3%. A estimativa de renda com bovinos e suínos cresceu ante 2013, respectivamente 17,2% e 9,7%. No entanto, houve queda nas  projeções relativas aos ovos (25,5%), frango (16,8%) e leite (4,8%).
- Os resultados mais favoráveis vêm sendo alcançados pela carne bovina com aumento de 17,2% e da carne suína com 9,7% - afirma o coordenador de Planejamento Estratégico do MAPA, José Garcia Gasques.
Conforme dados do VBP regional, o Centro-Oeste lidera os valores do país com R$112,0 bilhões em 2014, seguido pelo Sul (R$109,0 bilhões), Sudeste (R$107,9 bilhões), Nordeste, (R$43,0 bilhões) e Norte (R$17,9 bilhões). O estado de maior valor de produção é São Paulo, com 58,0 bilhões, seguido de Mato Grosso, com 56,3 bilhões, que representam 25,4% do VBP da agropecuária.
O VBP é uma estimativa da geração de renda no meio rural, e tem sua previsão atualizada mês a mês pelo Ministério da Agricultura, com base em levantamentos de safra divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Fonte: Agência Brasil. 13 de maio de 2014.

Safra de milho deve chegar a 71,72 mi de t; estimativa para soja é 87,6 mi

MILHO
A estimativa de safra de maio da INTL FCStone trouxe uma produção de 71,72 milhões de toneladas para o ciclo 2013/14, um aumento de quase 500 mil toneladas em relação à projeção de abril. Não houve alterações nos números da primeira safra, cuja produção esperada continuou em 30,8 milhões de toneladas.
Safra de milho deve chegar a 71,72 mi de t; estimativa para soja é 87,6 miNo caso da segunda safra, houve uma pequena correção na área plantada e a produtividade média foi elevada para 4,85 toneladas por hectare, devido a revisões no rendimento esperado de alguns estados, que puderam ser mais bem avaliados com o avanço da safra. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, as expectativas para a segunda safra estão boas, apesar de parte do cultivo ter ocorrido fora da janela ideal de plantio. Com isso, a produção estimada da “safrinha” ficou em 40,87 milhões de toneladas.
Em relação ao balanço de oferta e demanda da safra 2013/14, houve um leve aumento nos estoques finais, que alcançaram 6,81 milhões de toneladas, em meio ao ajuste da estimativa de produção. Com isso, a relação estoque/uso também apresentou um leve aumento, ficando em 9,2%. Para as exportações, continuou-se estimando um volume de e 20 milhões de toneladas. Cabe lembrar que as exportações brasileiras de milho estão mais baixas neste início de ano, mas esse padrão é normal para o período. A partir do segundo semestre, com a colheita da “safrinha”, os embarques devem ganhar força.
SOJA
Para a soja, foram feitos ajustes em produtividades de alguns estados, especialmente os que colhem o grão mais tardiamente, mas a produção brasileira continua estimada em 87,6 milhões de toneladas.
No Paraná, o clima seco prejudicou fortemente a safra do noroeste do estado, levando a uma produção 15% menor do que a esperada inicialmente. No Rio Grande do Sul, a maior parte da colheita foi realizada em abril e mostrou rendimento pouco abaixo das expectativas. Com isso, o volume produzido deve ser de aproximadamente 13 milhões de toneladas.
Como se espera uma redução da demanda internacional nos próximos meses, principalmente da China, foi feito um ajuste nas exportações brasileiras e no consumo doméstico, que deve ser praticamente mantido inalterado em relação ao ciclo anterior. O estoque final deve ser de 3,21 milhões de toneladas, ou 3,8% do uso total do país, ficando em um nível ainda confortável.
Fonte: Rural Centro

Produtores podem inscrever imóveis no Cadastro Ambiental Rural

Os produtores rurais já podem iniciar a regularização dos passivos ambientais através de inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR), dando o primeiro passo desta ferramenta instituída pelo Novo Código Florestal, Lei Federal nº 12.651/2012.
A novidade surgiu com a publicação do Decreto 8.235 na Edição Extra do Diário Oficial da União (DOU) em 05/05/2014 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8235.htm) e as informações constam no site http://www.car.gov.br.
A publicação do Decreto trouxe regras complementares ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), onde também deve ser feita a adesão, no caso dos produtores com áreas pendentes de regularização ambiental, em que ficará registrada a forma de recuperação, recomposição, regeneração ou compensação das áreas nativas.
O cadastro, neste momento, é uma opção dos produtores e somente terá prazo regressivo de dois anos após a publicação da Instrução Normativa.
O QUE É O CAR: Tal como temos reforçado desde o Simpósio de Agronegócio em novembro de 2013 para adiantar a apresentação deste instrumento aos produtores, trata-se do “documento de identidade da propriedade rural”, um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais, para integrar as informações ambientais referentes à situação das Áreas de Preservação Permanente - APPs, das áreas de Reserva Legal, das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa, das Áreas de Uso Restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país.
BENEFÍCIOS DA IMEDIATA REGULARIZAÇÃO: Garante tempo para correções e avaliações cadastrais antes do término do prazo regressivo ainda não instituído. Também a possibilidade de melhor planejamento ambiental e econômico do uso e ocupação do imóvel rural, regularizando as APPs e/ou Reservas Legais, inclusive com reflexos tributários na dedução do ITR. Suspensão de sanções havidas até 22/07/2008. Sem contar as facilidades na obtenção das licenças ambientais e comprovações de regularidade da propriedade.
CONSEQUÊNCIAS DA NÃO REGULARIZAÇÃO: Pode acarretar multas e punições, bem como acesso a financiamentos bancários, entre outras sanções. Também impedirá a obtenção de licenças ambientais para uso ou exploração dos recursos naturais da propriedade.
O QUE FAZER: buscar os profissionais competentes para auxílio na regularização e implementação do CAR, tal como profissionais credenciados a fazer o georreferenciamento, consultoria ambiental e jurídica.
 
PEDRO PUTTINI MENDES (pedro@pmadvocacia.com
Presidente da Comissão de Assuntos Agrários e Agronegócios da OAB/MS, advogado do escritório P&M Advogados Associados (https://www.facebook.com/AdvocaciaAssessoriaJuridica), inscrito na OAB/MS. Pós-graduando com Especialização em Direito do Agronegócio pela UNIARA – Universidade de Araraquara. Pós-graduando com Especialização em Direito Empresarial e Advocacia Empresarial pela LFG e Pós-Graduado com Especialização em Direito Civil e Processo Civil pela Uniderp/Anhanguera.

Confira entrevista exclusiva com Temple Grandin, principal referência em bem-estar animal no mundo, direto do Colorado, EUA

O bem-estar animal tem sido preocupação crescente entre pesquisadores, produtores e consumidores de todo o mundo que passaram a exigir com maior intensidade uma conduta humanitária no tratamento dos animais, no que diz respeito à produção, transporte e abate.
Assim, para mostrar o que está acontecendo de mais atual no Brasil e no mundo frente a área de bem-estar animal, na cadeia produtiva bovina, o BeefPoint preparou algumas entrevistas com diversos pecuaristas brasileiros e diversos profissionais da área, em diversos países, os quais já adotam medidas de manejo que visam as boas práticas de manejo, compartilhando assim alguns casos de sucesso na pecuária de corte nacional e internacional.
Confira abaixo, entrevista exclusiva ao BeefPoint, com Temple Grandin:
BeefPoint: Por favor, conte sobre o trabalho que vem desenvolvendo na área de bovinocultura de corte e bem-estar animal nos EUA – Estado do Colorado. 
Temple Grandin: No caso da pecuária de corte, as maiores melhorias em bem-estar animal foram implementadas nas plantas de abate.
Eu trabalhei com o McDonald’s Corporation para treinar seus auditores que utilizassem um sistema de classificações, com os objetivos de avaliar o manejo animal e o stunning (atordoamento do animal). Além de que, recentemente me envolvi no desenvolvimento e no uso de câmeras de vídeo, monitoradas por uma empresa de auditoria, para garantir que os altos padrões sejam mantidos tanto no manejo quanto no stunning nas plantas frigoríficas de nosso estado. Felizmente, ambos os programas foram muito bem sucedidos.
Mais informações sobre esses programas podem ser encontradas no meu site: grandin.com.
BeefPoint: Qual é a sua visão sobre as práticas de bem-estar animal em seu país?
Temple Grandin: As práticas de manejo animal nas fazendas e confinamentos têm melhorado desde meados dos anos 70 e 80.
Minha aluna de pós-graduação, Ruth Woiwode, recentemente fez uma pesquisa das práticas de manejo de bovinos durante a vacinação dos animais em 28 confinamentos dos Estados Unidos em Kansas, Nebraska e Colorado.
Muitos confinamentos não usavam bastões elétricos e o escore médio para uso de bastão elétrico foi de somente 5,5% dos bovinos. Além de que, menos de 1% dos animais caíram durante o manejo.
BeefPoint: Em relação ao manejo de bovinos, quais os erros mais comuns cometidos pelos pecuaristas?
Temple Grandin: O erro mais comum cometido pelos produtores é deixar os animais excitados, gritando e berrando.
As pessoas precisam se acalmar quando manejam o animal. Quando os bovinos ficam com medo, demora cerca de 20 a 30 minutos para se acalmarem. Animais calmos são mais fáceis de manejar!
BeefPoint: Você acredita que o pecuarista tem procurado empregar técnicas de manejo racional, treinar mão de obra, assim como reestruturar seus hábitos e tradições de anos?
Temple Grandin: Acredito que já avançamos muito no quesito manejo racional e bem-estar animal, mas ainda há a necessidade de mais melhoras no manejo dos bovinos.
BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas em âmbito de bem-estar animal?
Temple Grandin: Os consumidores estão se tornando cada vez mais preocupados com a forma que os animais são tratados. No setor agropecuário precisamos avaliar tudo o que fazemos e fazer as seguintes perguntas.
Fonte: Beef Point
Temple Grandin é professora de Ciência Animal da Universidade do Estado do Colorado e especialista em manejo de bovinos, métodos de abate humanitário e bem-estar animal
 

Vantagens da Carne Brasileira: Alimento seguro e produzido com respeito aos animais para o Mundo!

Você sabia que:
1)      Mais de 90% dos animais no Brasil são produzidos exclusivamente em pastagens?
2)      Para uma idade de abate de três anos, os animais são confinados por menos de 100 dias, o que corresponderia a menos de 10% da sua vida?
3)      Em função do exposto nos dois itens anteriores, em média, o bovino brasileiro passa 99,9% do seu tempo pastejando, o que está mais de acordo seu comportamento natural?
4)      Além da criação preponderante em pastagens, a adoção de práticas de bem-estar animal têm crescido muito, pois para muitas delas, apenas com investimento em treinamento, obtém-se resultados evidentes em melhoria de produção e facilidade de trabalho? Um bom exemplo é na vacinação de um lote, quando basta fazer a contenção individual do animal ao vacinar para que a aplicação fique mais bem feita e o trabalho seja feito em menos tempo!
5)      O grupo genético predominante é o zebuíno, com alta adaptabilidade às nossas condições de clima, e, portanto, ficando menos tempo fora da sua zona de conforto térmico? Por exemplo, observações feitas na Embrapa Gado de Corte com animais em um experimento de eficiência alimentar, indicaram que animais, com opção de sombra artificial, preferiram o sol mesmo com temperaturas maiores do que 30º Celsius.
6)      O zebuíno também é mais resistente aos desafios sanitários (carrapato, por exemplo), o que reduz a frequência de idas ao curral para tratamento, trazendo mais conforto aos animais?
7)      Pelo mesmo motivo do item anterior, usam-se muito menos medicamentos e pesticidas, razão pela qual a carne brasileira é um produto reconhecidamente “limpo”?
8)      Que 1 tonelada de carne produzida no Reino Unido usa 2,5 vezes mais pesticidas (considerando apenas o princípio ativo) que 1 tonelada de carne produzida no Brasil?
9)      A melhor prova que a carne brasileira é uma das mais “limpas” do mundo vem do fato de exportarmos para cerca de 150 países e praticamente não haver alertas para ocorrência de resíduos, sendo que vários deles possuem um elevado grau de controle?
10)   Os últimos casos mais rumorosos, já superados, envolveram resíduo de uma classe de vermífugos nos EUA, cujo limite aceitável foi reduzido em 10 vezes do dia para noite (e cujo valor acima do limite não implica em riscos à saúde) e, mais recentemente, resíduos de ractopanima, considerado seguro pelo Codex Alimentarius da FAO, mas que a Rússia tem restrições?
11)   Além desse aval dado por nossos importadores, temos o “Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes” do Ministério de Agricultura, cujos resultados são públicos e comprovam que a nossa carne bovina é um alimento seguro?
12)   O Brasil é o único grande exportador de carne que não utiliza hormônios na produção de carne?
13)   A carne produzida em pastagem com zebuínos é mais magra, ajudando a se obter um consumo de carne com menor ingestão calórica e com menor quantidade de gordura?
14)   A composição de gordura de animais que consomem mais pastagem é mais interessante do que a de animais produzidos confinados por longos períodos?
15)   Também o teor de vitaminas é maior nos animais produzidos preponderantemente em pastagens?
Os 35 pontos, resultantes da soma dos presentes neste texto com aqueles do texto anterior, dão uma boa ideia de como de nossa produção pecuária tem bons motivos para ser promovida e o todo o país ganhar mais com isso. Certamente, não devo tê-los esgotados. Inclusões de outros pontos serão muito bem vindas. Igualmente, críticas, correções e pedidos de maiores explicações ou referências. Elas podem ser feitas na seção de comentários abaixo. Será muito bom ter ainda mais motivos de orgulho da nossa produção de carne bovina!

Sérgio Raposo

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte, agrônomo com mestrado (1992) e doutorado (2002) pela ESALQ/USP, especialista em nutrição animal, atuação em pesquisa com os seguintes temas: exigência e eficiência na produção animal, qualidade de produtos animais e soluções tecnológicas para produção sustentável. sergio.medeiros@embrapa.br

Necessidade de intensificação na produção de bovinos de corte

A população mundial cresce exponencialmente. Em contrapartida, a área para a produção de alimentos de origem animal, como a carne bovina, é cada vez menor. O Brasil passará de 181,7 milhões de hectares (ha) de pastagens em 2011 para 176,3 milhões em 2022, perdendo então 2,97% de área de pastagens. Já as lavouras crescerão de 48,6 milhões de ha em 2011 para 58,5 milhões de ha em 2022, um incremento de 20,37% (Outlook Brasil 2022). Apesar dessa perda de área para agricultura, existe uma previsão para que as exportações de carne bovina tenham um crescimento anual de 4,3% de 2012 a 2022.
Além disso, o novo código florestal determina que os produtores adequem suas propriedades a algumas exigências, como a recomposição de áreas desmatadas com espécies nativas de acordo com o bioma, o que reduzirá ainda mais as áreas efetivas de pastagem da pecuária.
Na contramão desses fatos, o Brasil sempre apresentou uma característica extrativista e extensiva, com baixos índices de produtividade. A alternativa que resta aos produtores é a intensificação, que não deve mais ser encarada como um mito pelos produtores, e sim como uma realidade que pode elevar a rentabilidade de seu negócio.
Pode-se definir intensificação como a racionalização do uso dos recursos limitantes no processo de produção. Ou seja, seria a aplicação de técnicas de forma a utilizar todos os recursos ligados à produção da melhor forma possível, maximizando o resultado financeiro do produtor por meio de aumento da produtividade (@ produzidas/ ha/ ano).
É importante deixar claro que não existe receita certa a seguir, ou sistema de produção ideal, pois cada propriedade e cada região possuem suas particularidades que devem ser levadas em consideração no processo de intensificação. No entanto, alguns fatores importantes devem ser ressaltados e valem para todos os que pretendem intensificar sua produção.
O fator humano é um ponto chave da intensificação. O proprietário deve ser ter um elevado nível de envolvimento com o sistema de produção, ou ter uma pessoa de confiança que assuma tal papel com autonomia e excelência. Os funcionários devem ser treinados para essa nova forma de produção. Se for possível, antes da implantação é interessante levá-los a uma propriedade que já trabalha com manejo semelhante ao proposto. Isso ajuda a criar referência e a entender melhor os reais objetivos da intensificação.
A localização da propriedade também é um ponto importante, pois a compra de insumos e a venda de produtos apresentam alta correlação com o resultado financeiro. É necessário realizar um estudo que liste os principais insumos que serão utilizados na propriedade para, a partir daí, levantar a distância das principais empresas que realizam a comercialização destes produtos, além dos possíveis clientes. Todas essas informações servirão como base para uma negociação bem feita, reduzindo o custo de produção, melhorando as vendas e aumentando a margem de lucro do produtor.
O pastejo deve permitir a maximização da produção animal sem prejudicar em nenhum aspecto as plantas forrageiras. Ao pensar em intensificar a produção, as divisões de pastagens devem ser o primeiro passo observado na propriedade, pois tem o intuito de maximizar o aproveitamento das forragens. Para que seja feito um correto trabalho de redimensionamento da fazenda é muito interessante que se tenha os mapas. Através dos mapas é possível inserir os pontos de divisão atrelados à água e cocho, além de se obter a real dimensão da propriedade e consequentemente do valor a ser investido e seu potencial de produção.
A suplementação é outra importante ferramenta de intensificação. O objetivo dela é melhorar a conversão alimentar de animais em pastagens, encurtar ciclos reprodutivos, reduzir ciclos de crescimento e engorda e aumentar a capacidade suporte dos sistemas produtivos. Isso aumenta a eficiência de utilização das pastagens e supre a deficiência de nutrientes encontradas nelas nas diferentes épocas do ano, assim gerando um incremento na produtividade (@ produzidas / ha / ano). Essa prática deve estar alinhada a uma meta estabelecida de produção, ao fluxo de caixa da propriedade, ao clima regional, para então analisar-se a viabilidade econômica e definir qual o nível de suplementação, período e categorias que irão receber.
O confinamento estratégico caracteriza-se como outro instrumento de intensificação em pecuária de corte. Tem se tornado um ótimo casamento com os sistemas de produção intensificados a pasto, pois proporciona diminuição drástica na taxa de lotação da fazenda no período seco, retirando os animais a serem terminados e permitindo a entrada da reposição, além de proporcionar vantagens já conhecidas, como elevados valores de ganho de peso em curto período, carcaças melhor acabadas, melhor rendimento de carcaça 
, venda de animais acabados durante a entressafra do boi, giro do capital mais rápido devido ao encurtamento do ciclo de produção e maior produção de @/ha/ ano.


Porém, é importante analisar os custos de investimento com instalações, máquinas e os custos elevados com ração concentrada e volumoso servidos no cocho, mão de obra específica e disponibilidade de insumos na região.
Sugere-se que na intensificação de sistemas de gado de corte, a propriedade inicie em uma pequena área (aproximadamente 20% do tamanho total). Essa área servirá de aprendizado para todos os envolvidos no processo. A área deve ser preferencialmente a melhor área da propriedade, a fim de reduzir custos com correção e adubação no primeiro ano. Nos anos que seguem o processo de intensificação, será implantado em toda a propriedade, porém o nível de crescimento estará atrelado à capacidade de investimento do produtor, podendo ser completa já no segundo ano ou crescente de acordo com seu fluxo de caixa e geração de renda com o próprio sistema.
Vitoriano Dornas

quarta-feira, 2 de abril de 2014

ILPF: receita de agricultura sustentável, com aumento de produtividade

Levar a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ao sistema de ensino brasileiro. Foi com esse objetivo que a John Deere, em parceria com a Embrapa e a Rede de Fomento em ILPF, reuniu cerca de 700 pessoas no 8º Dia de Campo da Fazenda Santa Brígida, realizado em Ipameri (GO).
Durante o evento, professores e alunos de mais de 20 instituições de ensino de todo o Brasil puderam verificar a eficiência do sistema e entender um pouco mais sobre essa tecnologia, que transformou as terras degradadas da propriedade em um modelo de produtividade.
Para Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil e da Rede de Fomento em iLPF, incluir a integração no currículo oficial dos cursos relacionados à agronomia, zootecnia e ciências ambientais é a melhor forma de engajar e preparar os futuros profissionais da área. “Precisamos de gente jovem e mentes abertas para divulgar o iLPF entre os produtores. Para isso, temos que despertar o interesse e a curiosidade das instituições de ensino. Dessa forma, teremos mais força para chegar às lavouras de todo o País”, diz.
Atualmente, disciplinas de iLPF fazem parte da grade curricular de oito universidades brasileiras. Para aumentar essa atuação, representantes das instituições de ensino presentes no evento decidiram formar um grupo que irá trabalhar na divulgação da disciplina e na definição do conteúdo voltado ao iLPF. “É muito importante incluir o iLPF na grade curricular para que possamos abordar com profundidade a complexidade que envolve o planejamento, os ciclos do negócio, a gestão e o acompanhamento dos resultados”, diz o diretor da Faculdade de Tecnologia da Fatec-Indaiatuba, Luiz Antonio Daniel.
ILPF
A integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma estratégia de produção sustentável que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado, buscando efeitos sinergéticos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.
Segundo a Embrapa, a ILP e a ILPF são as tecnologias que mais trazem benefícios agronômicos às lavouras, entre eles a recuperação e a manutenção de ambientes produtivos, com destaque na matéria orgânica do solo. Além disso, o sistema permite a diversificação da produção e a redução de custos e riscos, beneficiando também o meio ambiente ao conter os efeitos degradadores – como a erosão – reduzir o uso de defensivos e aumentar a captação de carbono da atmosfera por meio da manutenção de cobertura verde durante a maior parte do ano.
De acordo com o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, estamos vivenciando uma revolução na agricultura tropical. “O Brasil construiu algo extraordinário nos últimos anos. Estamos iniciando um ciclo marcado pela sustentabilidade, utilizando os recursos naturais de forma planejada e obtendo produções recordes. Somos referência para a agricultura mundial.”
Cenário brasileiro
Dados da Embrapa apontam que, de um total de mais de 800 milhões de hectares, o Brasil dispõe de pouco mais de 300 milhões de hectares para a produção agropecuária, sendo dois terços dessa extensão utilizados na produção pecuária e um terço para a produção vegetal.
Na área destinada à produção pecuária, cerca de 82% está em processo de degradação, ou seja, com uma taxa de lotação menor que 1,0 unidade animal por hectare. Nesse sentido, o iLPF é um dos principais caminhos para recuperar essas áreas, além de contribuir decisivamente para a redução de gases de efeito estufa.
Para o engenheiro agrônomo João Kluthcouski, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, as áreas degradadas de hoje representam uma oportunidade para o Brasil triplicar tanto a produção animal, como a vegetal. “Pode ser iLP ou iLPF, não existe uma regra para aplicar esse sistema. Cada um cria a sua fórmula conforme o tamanho e as necessidades de sua propriedade.”
Paulo Herrmann reforça que o Brasil tem um diferencial muito importante que é a capacidade de produzir 12 meses ao ano. “Precisamos otimizar os processos de produção, aumentando a eficiência sem aumentar a área de plantio”, diz. “Os produtores brasileiros são responsáveis e estão abertos a formas sustentáveis de produção e o iLPF mostra o potencial que existe dentro das propriedades. Nossa missão é fazer essa tecnologia chegar até eles.”
A Fazenda Santa Brígida
Modelo de produtividade, a propriedade de 922 hectares, localizada em Ipameri (GO), começou a utilizar o sistema iLPF em 2006, quando apresentava apenas pastagens degradadas.
Foi então que a dentista Marize Porto Costa, proprietária da fazenda, buscou ajuda e, com o apoio da Embrapa, em parceria com a John Deere e a Universidade Estadual de Goiás, iniciou um processo de recuperação dessas pastagens por meio de um sistema de consórcio de milho, braquiária e leguminosa.
Com o tempo, observou-se um incremento gradual na produção. Da safra de 2006/2007 para a safra de 2011/2012 a produção de soja aumentou cerca de 20%, passando de aproximadamente 40 sacas/ha para acima de 50 sacas/ha. Para o milho, esse aumento foi ainda mais expressivo: de 80 sacas/ha no primeiro ano para cerca de 180 sacas/ha no sexto ano.
Segundo a Embrapa, essas evoluções podem ser atribuídas às melhorias dos atributos químicos do terreno, bem como o aumento da matéria orgânica no solo (MOS), decorrente da rotação lavoura-pasto. No caso da Fazenda Santa Brígida, o teor de MOS passou de 1,8 % para 2,8%, o que equivale à fixação de mais de 11 toneladas de carbono orgânico por hectare nos primeiros 20 centímetros do perfil do solo.
A evolução da produtividade pecuária também foi bastante expressiva. A taxa de lotação média anual, que era de 0,5 UA/ha em 2006, passou para 2,5 UA/ha com animais na fase de engorda, durante 60 dias, no período de inverno, e chegou a 4,6 UA/ha, com animais em fase de recria, durante 120 dias, também no período de inverno. Outro incremento importante foi na produtividade de carne, que passou de duas para 16 arrobas/ha.
Em propriedades rurais com pastagens degradadas, os animais podem chegar a perder mais de 200g/dia no inverno. Na Fazenda Santa Brígida, o ganho em peso a pasto nesse período é da ordem de 1,2 kg por animal ao dia. Além disso, na pecuária tradicional, o custo de produção da arroba é estimado em R$ 73,00, enquanto que no sistema iLPF é de R$ 37,50.
Vale lembrar que as pastagens utilizam apenas o residual dos fertilizantes aplicados nas lavouras e que a idade de abate que, antes de 2006, era acima de quatro anos passou a ter uma média de três anos, com planejamento para chegar aos 24 meses nos próximos anos. Essa redução no ciclo implica na diminuição de pelo menos um quarto da emissão de gás metano por quilo de carne produzida.
Na Fazenda Santa Brígida também se produz milho para silagem, sempre consorciado com braquiária, cuja produtividade nos últimos anos tem sido sempre acima de 50 t/ha, ficando na área uma pastagem verde, de alta qualidade para alimentação animal durante toda a estação seca do ano, e aumentando a fixação de carbono. Além disso, hoje são contabilizadas na fazenda 51 mil árvores de eucalipto, que além de conforto térmico aos animais e reciclagem de nutrientes, representam uma renda extra para a propriedade e uma enorme contribuição para a mitigação de gases de efeito estufa.
As técnicas utilizadas na Fazenda vão de encontro ao Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que tem a missão de organizar e planejar ações para a adoção de tecnologias de produção sustentáveis. A meta do Mapa é recuperar pelo menos 20 milhões de hectares de terras com algum grau de degradação até o ano de 2020, quatro milhões deles por meio do sistema iLPF. A meta da John Deere é incluir o iLPF em 10 milhões de hectares até 2020.
Dia de Campo 
Para a oitava edição do Dia de Campo da Fazenda Santa Brígida, os participantes puderam visitar quatro estações técnicas: (1) condicionamento de solo para iLPF, (2) iLPF safra/verão, (3) sistemas de plantio/iLPF safrinha e novos sistemas de iLP e (4) desempenho animal e madeireiro.
Além disso, os visitantes tiveram a oportunidade de checar 23 novas tecnologias de plantio. “São os berçários da Embrapa, onde vemos o desenvolvimento de diferentes variáveis, como combinações de culturas, espaçamentos e técnicas”, explica Marize Porto. Outra novidade é o sistema de gestão para iLPF criado pelo Siagri. Desenvolvido na Fazenda Santa Brígida, o programa integra todas as áreas da fazenda: agricultura, pecuária, floresta, máquinas e administração. “Para nós foi uma ótima mudança, pois a gestão desses diferentes setores era bastante complexa. Agora outras fazendas poderão utilizá-lo.”
Para Paulo Herrmann, eventos como esse são uma ótima oportunidade para informar e inspirar futuros multiplicadores. “Ainda temos muitos desafios pela frente, entre eles criar novas leis trabalhistas, treinar a mão de obra para a atuação multitarefa e adequar as linhas de crédito à nova realidade da agricultura. Por isso esses encontros são importantes. Aqui discutimos, trocamos experiências e temos um exército de especialistas da Embrapa e pesquisadores para dar explicações – inclusive econômicas – sobre o sistema.”
Documentários
Para aumentar a difusão de técnicas para uma agricultura sustentável, a Fundação John Deere, em parceria com a Embrapa, produziu uma série de documentários sobre melhores práticas e tecnologias, referências para a agricultura e produção de energia alternativa no Brasil. O primeiro DVD, lançado em 2012, “Terra e Sustentabilidade”, apresenta os benefícios do iLPF. O segundo, “Energia Verde e Amarela”, lançado em 2013, destaca os diferentes processos de geração de energia sustentável, que provêem da biomassa e dos seus resíduos. Esses e outros vídeos estão disponíveis no canal da John Deere no YouTube: www.youtube.com/johndeerebrasil 
 Fonte: John Deere / CDI