quarta-feira, 2 de abril de 2014

ILPF: receita de agricultura sustentável, com aumento de produtividade

Levar a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ao sistema de ensino brasileiro. Foi com esse objetivo que a John Deere, em parceria com a Embrapa e a Rede de Fomento em ILPF, reuniu cerca de 700 pessoas no 8º Dia de Campo da Fazenda Santa Brígida, realizado em Ipameri (GO).
Durante o evento, professores e alunos de mais de 20 instituições de ensino de todo o Brasil puderam verificar a eficiência do sistema e entender um pouco mais sobre essa tecnologia, que transformou as terras degradadas da propriedade em um modelo de produtividade.
Para Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil e da Rede de Fomento em iLPF, incluir a integração no currículo oficial dos cursos relacionados à agronomia, zootecnia e ciências ambientais é a melhor forma de engajar e preparar os futuros profissionais da área. “Precisamos de gente jovem e mentes abertas para divulgar o iLPF entre os produtores. Para isso, temos que despertar o interesse e a curiosidade das instituições de ensino. Dessa forma, teremos mais força para chegar às lavouras de todo o País”, diz.
Atualmente, disciplinas de iLPF fazem parte da grade curricular de oito universidades brasileiras. Para aumentar essa atuação, representantes das instituições de ensino presentes no evento decidiram formar um grupo que irá trabalhar na divulgação da disciplina e na definição do conteúdo voltado ao iLPF. “É muito importante incluir o iLPF na grade curricular para que possamos abordar com profundidade a complexidade que envolve o planejamento, os ciclos do negócio, a gestão e o acompanhamento dos resultados”, diz o diretor da Faculdade de Tecnologia da Fatec-Indaiatuba, Luiz Antonio Daniel.
ILPF
A integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma estratégia de produção sustentável que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado, buscando efeitos sinergéticos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.
Segundo a Embrapa, a ILP e a ILPF são as tecnologias que mais trazem benefícios agronômicos às lavouras, entre eles a recuperação e a manutenção de ambientes produtivos, com destaque na matéria orgânica do solo. Além disso, o sistema permite a diversificação da produção e a redução de custos e riscos, beneficiando também o meio ambiente ao conter os efeitos degradadores – como a erosão – reduzir o uso de defensivos e aumentar a captação de carbono da atmosfera por meio da manutenção de cobertura verde durante a maior parte do ano.
De acordo com o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, estamos vivenciando uma revolução na agricultura tropical. “O Brasil construiu algo extraordinário nos últimos anos. Estamos iniciando um ciclo marcado pela sustentabilidade, utilizando os recursos naturais de forma planejada e obtendo produções recordes. Somos referência para a agricultura mundial.”
Cenário brasileiro
Dados da Embrapa apontam que, de um total de mais de 800 milhões de hectares, o Brasil dispõe de pouco mais de 300 milhões de hectares para a produção agropecuária, sendo dois terços dessa extensão utilizados na produção pecuária e um terço para a produção vegetal.
Na área destinada à produção pecuária, cerca de 82% está em processo de degradação, ou seja, com uma taxa de lotação menor que 1,0 unidade animal por hectare. Nesse sentido, o iLPF é um dos principais caminhos para recuperar essas áreas, além de contribuir decisivamente para a redução de gases de efeito estufa.
Para o engenheiro agrônomo João Kluthcouski, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, as áreas degradadas de hoje representam uma oportunidade para o Brasil triplicar tanto a produção animal, como a vegetal. “Pode ser iLP ou iLPF, não existe uma regra para aplicar esse sistema. Cada um cria a sua fórmula conforme o tamanho e as necessidades de sua propriedade.”
Paulo Herrmann reforça que o Brasil tem um diferencial muito importante que é a capacidade de produzir 12 meses ao ano. “Precisamos otimizar os processos de produção, aumentando a eficiência sem aumentar a área de plantio”, diz. “Os produtores brasileiros são responsáveis e estão abertos a formas sustentáveis de produção e o iLPF mostra o potencial que existe dentro das propriedades. Nossa missão é fazer essa tecnologia chegar até eles.”
A Fazenda Santa Brígida
Modelo de produtividade, a propriedade de 922 hectares, localizada em Ipameri (GO), começou a utilizar o sistema iLPF em 2006, quando apresentava apenas pastagens degradadas.
Foi então que a dentista Marize Porto Costa, proprietária da fazenda, buscou ajuda e, com o apoio da Embrapa, em parceria com a John Deere e a Universidade Estadual de Goiás, iniciou um processo de recuperação dessas pastagens por meio de um sistema de consórcio de milho, braquiária e leguminosa.
Com o tempo, observou-se um incremento gradual na produção. Da safra de 2006/2007 para a safra de 2011/2012 a produção de soja aumentou cerca de 20%, passando de aproximadamente 40 sacas/ha para acima de 50 sacas/ha. Para o milho, esse aumento foi ainda mais expressivo: de 80 sacas/ha no primeiro ano para cerca de 180 sacas/ha no sexto ano.
Segundo a Embrapa, essas evoluções podem ser atribuídas às melhorias dos atributos químicos do terreno, bem como o aumento da matéria orgânica no solo (MOS), decorrente da rotação lavoura-pasto. No caso da Fazenda Santa Brígida, o teor de MOS passou de 1,8 % para 2,8%, o que equivale à fixação de mais de 11 toneladas de carbono orgânico por hectare nos primeiros 20 centímetros do perfil do solo.
A evolução da produtividade pecuária também foi bastante expressiva. A taxa de lotação média anual, que era de 0,5 UA/ha em 2006, passou para 2,5 UA/ha com animais na fase de engorda, durante 60 dias, no período de inverno, e chegou a 4,6 UA/ha, com animais em fase de recria, durante 120 dias, também no período de inverno. Outro incremento importante foi na produtividade de carne, que passou de duas para 16 arrobas/ha.
Em propriedades rurais com pastagens degradadas, os animais podem chegar a perder mais de 200g/dia no inverno. Na Fazenda Santa Brígida, o ganho em peso a pasto nesse período é da ordem de 1,2 kg por animal ao dia. Além disso, na pecuária tradicional, o custo de produção da arroba é estimado em R$ 73,00, enquanto que no sistema iLPF é de R$ 37,50.
Vale lembrar que as pastagens utilizam apenas o residual dos fertilizantes aplicados nas lavouras e que a idade de abate que, antes de 2006, era acima de quatro anos passou a ter uma média de três anos, com planejamento para chegar aos 24 meses nos próximos anos. Essa redução no ciclo implica na diminuição de pelo menos um quarto da emissão de gás metano por quilo de carne produzida.
Na Fazenda Santa Brígida também se produz milho para silagem, sempre consorciado com braquiária, cuja produtividade nos últimos anos tem sido sempre acima de 50 t/ha, ficando na área uma pastagem verde, de alta qualidade para alimentação animal durante toda a estação seca do ano, e aumentando a fixação de carbono. Além disso, hoje são contabilizadas na fazenda 51 mil árvores de eucalipto, que além de conforto térmico aos animais e reciclagem de nutrientes, representam uma renda extra para a propriedade e uma enorme contribuição para a mitigação de gases de efeito estufa.
As técnicas utilizadas na Fazenda vão de encontro ao Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que tem a missão de organizar e planejar ações para a adoção de tecnologias de produção sustentáveis. A meta do Mapa é recuperar pelo menos 20 milhões de hectares de terras com algum grau de degradação até o ano de 2020, quatro milhões deles por meio do sistema iLPF. A meta da John Deere é incluir o iLPF em 10 milhões de hectares até 2020.
Dia de Campo 
Para a oitava edição do Dia de Campo da Fazenda Santa Brígida, os participantes puderam visitar quatro estações técnicas: (1) condicionamento de solo para iLPF, (2) iLPF safra/verão, (3) sistemas de plantio/iLPF safrinha e novos sistemas de iLP e (4) desempenho animal e madeireiro.
Além disso, os visitantes tiveram a oportunidade de checar 23 novas tecnologias de plantio. “São os berçários da Embrapa, onde vemos o desenvolvimento de diferentes variáveis, como combinações de culturas, espaçamentos e técnicas”, explica Marize Porto. Outra novidade é o sistema de gestão para iLPF criado pelo Siagri. Desenvolvido na Fazenda Santa Brígida, o programa integra todas as áreas da fazenda: agricultura, pecuária, floresta, máquinas e administração. “Para nós foi uma ótima mudança, pois a gestão desses diferentes setores era bastante complexa. Agora outras fazendas poderão utilizá-lo.”
Para Paulo Herrmann, eventos como esse são uma ótima oportunidade para informar e inspirar futuros multiplicadores. “Ainda temos muitos desafios pela frente, entre eles criar novas leis trabalhistas, treinar a mão de obra para a atuação multitarefa e adequar as linhas de crédito à nova realidade da agricultura. Por isso esses encontros são importantes. Aqui discutimos, trocamos experiências e temos um exército de especialistas da Embrapa e pesquisadores para dar explicações – inclusive econômicas – sobre o sistema.”
Documentários
Para aumentar a difusão de técnicas para uma agricultura sustentável, a Fundação John Deere, em parceria com a Embrapa, produziu uma série de documentários sobre melhores práticas e tecnologias, referências para a agricultura e produção de energia alternativa no Brasil. O primeiro DVD, lançado em 2012, “Terra e Sustentabilidade”, apresenta os benefícios do iLPF. O segundo, “Energia Verde e Amarela”, lançado em 2013, destaca os diferentes processos de geração de energia sustentável, que provêem da biomassa e dos seus resíduos. Esses e outros vídeos estão disponíveis no canal da John Deere no YouTube: www.youtube.com/johndeerebrasil 
 Fonte: John Deere / CDI

segunda-feira, 24 de março de 2014

PLANEJAMENTO SANITÁRIO – UMA NECESSIDADE


Conforme o Léxico, dicionário de Português on- line, necessidade é a essência daquilo que realmente se precisa; designação do que é imprescindível, imperioso ou essencial. E é exatamente dessa forma que o produtor rural, o pecuarista, precisa ver o planejamento sanitário – como uma necessidade.
Vaz Pires,2010 traz uma abordagem muito interessante que divide o estudo sobre a necessidade do planejamento sanitário na pecuária, em relação aos resultados, em dois segmentos: um macro e outro microeconômico.

Para ele a importância sanitária para o alcance de mercados externos é inquestionável. As comunidades estão cada vez mais atentas a saúde dos rebanhos e garantias de procedência e não irão baixar a guarda em nenhuma hipótese, até por que não haveria motivos para isso, pois trata-se de uma questão de segurança alimentar.
Se o consumidor exige, a industria não tem alternativa que não seja cumprir, visto que do contrário não conseguirá ampliar seu portfolio de clientes, terá vendas reduzidas e prejuízos incalculáveis. Simples assim!
Não se pode deixar de argumentar que existem mercados menos exigentes e que hoje de certa forma suprem essa oferta de boi que o Brasil tem, porém são mercados que pagam menos, bem menos. E se o Brasil puder ter como clientes permanentes países como Canadá, Coreia do Sul, México, EUA e Japão as receitas serão bem mais elevadas.
Pois bem, aí vai aparecer algum produtor para argumentar que ele não exporta e que portanto o custo de tanto cuidado com a sanidade não será recompensado com os preços pagos no Brasil e ainda mais na Bahia. Para estes o argumento vem através da microeconomia. Precisa-se ver resultados dentro da fazenda.
Os gastos com medicamentos veterinários para curar doenças, são identificados pelos produtores como um dos custos mais elevados na propriedade. Estudos da Scot consultoria negam essa afirmativa e comprovam que uma propriedade que planeja seu calandario sanitário anual, esses custos não ultrapassarão 3%.
Custos de prevenção de doenças são muito mais baixos que os custos implicados na cura.Quando a cura de um animal doente é estabelecida, os custos desse animal se elevam e a lucratividade tente a ser menor.Se a cura não acontece e o animal vem a óbito, pior ainda o problema, pois houve gasto com a tentativa de cura e não há animal para suprir esse custo.
O produtor precisa entender que produtividade só se alcança com qualidade, portanto aqueles que buscam aumentar a produtividade das suas propriedades, devem investir na genética bovina, na qualidade das pastagens, da mineralização, no manejo e no planejamento sanitário.
Montar um Programa Sanitário Anual é simples, mas precisa que haja observação, conhecimento e sensibilidade das rotinas da propriedade, do clima, das normas sanitárias vigentes e do manejo da propriedade.
Estabelecer essa rotina e introduzí-la no dia a dia da propriedade, incorporando os hábitos sanitários ao manejo diário faz parte de ambas as disciplinas que envolvem a produção de bovinos: as disciplinas de ampliação da produção e as de garantia de produção.
Consulte a Gepecorte para um planejamento sanitário anual adequado à sua propriedade.
 
Adriana Calmon de Brito Pedreira
MSc. em Administração Estratégica
 
Bibliografia:
Pires, Alexandre Vaz. Bovinocultura de Corte. Vol II. Piracicaba. FEALQ.2010
 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Período de chuvas aumenta proliferação da mosca-dos-chifres

Durante o período de chuvas, os produtores devem estar atentos e ter cuidados extras com o rebanho para garantir animais saudáveis e a produção de carne e leite, sempre levando em conta o bom estado das pastagens e o calendário de vacinação.
No período das chuvas, ocorre desde a proliferação de vermes, os endoparasitas, até problemas nos cascos provenientes de pododermatites. Um dos principais problemas que um rebanho pode enfrentar neste período é a proliferação da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans).
A mosca-dos-chifres causa prejuízos expressivos pela perda do sangue que sugam dos animais e pelo estresse que acarretam. A espécie prejudica a alimentação do rebanho, causando perda de peso e redução na produção de leite. Com a chegada das chuvas, a proliferação cresce significativamente, já que a umidade colabora para a reprodução e crescimento das moscas, cujas larvas se desenvolvem no bolo fecal dos animais. Uma das formas de combate é a utilização de controle-biológico, como a utilização dos besouros conhecidos como rola-bosta. 

Agronegócio exporta US$ 99,34 bilhões nos últimos 12 meses

Nos últimos 12 meses, entre março de 2013 e fevereiro de 2014, as exportações do agronegócio alcançaram o montante de US$ 99,34 bilhões (+2,4%). O saldo da balança comercial do agronegócio no período considerado alcançou a marca de US$ 82,2 bilhões (+1,94%).

As vendas externas do complexo soja atingiram US$ 31,95 bilhões e 59,52 milhões de toneladas embarcadas. A soja em grãos foi o principal item negociado, com vendas externas de US$ 23,70 bilhões e 41,2% de incremento sobre os valores do período anterior. Já em quantidade, as vendas aumentaram 42,7%, atingindo 44,65 milhões de toneladas.

O principal destino dos produtos brasileiros continua sendo a China, com a cifra de US$ 23,78 bilhões (+33,5%). Os números demonstram o crescimento da participação chinesa nas exportações do agronegócio brasileiro, que passou de 18,4% para os atuais 23,9%.

As exportações brasileiras do agronegócio subiram 1,4% em fevereiro de 2014, atingindo a cifra de US$ 6,39 bilhões. O saldo comercial dos produtos do agronegócio foi de US$ 5,02 bilhões.

Em fevereiro, o complexo soja foi o principal setor exportador, atingindo a cifra de US$ 1,69 bilhão. A soja em grão foi responsável pelo forte desempenho do setor, com grande elevação da quantidade embarcada, que passou de 960 mil toneladas para 2,79 milhões de toneladas (+190,7%), e que gerou um incremento do valor exportado do produto em 168,3%, passando de US$ 517 milhões para US$ 1,39 bilhão em fevereiro de 2014.

Agronegócio tem superávit de US$ 5 bilhões em fevereiro
A balança comercial do agronegócio encerrou fevereiro com superávit de US$ 5 bilhões. O volume resulta de US$ 6,39 bilhões em vendas externas e US$ 1,37 bilhão em compras do Brasil no exterior. No primeiro bimestre, a balança acumula saldo positivo de US$ 9,42 bilhões.

Apesar do superávit acumulado, houve queda de 4,8% das exportações nos dois primeiros meses do ano. Em fevereiro, as vendas cresceram em ritmo menor do que as compras. As vendas externas subiram 1,4%, enquanto as compras no exterior cresceram 6,3% na comparação com igual período do ano passado. O movimento pode estar relacionado à queda nos preços das commodities, fenômeno esperado para 2014. No caso de alguns produtos, a quantidade embarcada tem compensado a redução nos valores.
FONTE: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA.
WOLF SEEDS

quinta-feira, 6 de março de 2014

MELHORAMENTO GENÉTICO – MONTA NATURAL X INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL


MELHORAMENTO GENÉTICO – Monta Natural  X Inseminação artificial
                                                                                   Adriana Calmon de Brito Pedreira

                                                                                 MSc. em Administração Estratégica

 


A escolha do sistema de acasalamento foi um ponto abordado no texto anterior sobre melhoramento genético como ferramenta de qualidade e eficiência. A decisão de usar a monta natural (MN) ou a inseminação artificial (IA), não deve ser apenas técnica, pois todos os processos que envolvem ambos os sistemas precisam ser pensados estrategicamente, no âmbito dos objetivos e dos recursos disponíveis.

Nos 23 anos de pecuária e nos 15 de prestação de serviços como consultores, a equipe da GEPECORTE já se convenceu que não há um sistema melhor ou pior. O que há é um sistema adequado aos recursos que a propriedade disponibiliza.

A tecnologia da IA não interfere apenas no emprenhe de uma vaca, mas em todo um manejo necessário para que essa ação de fertilizar artificialmente o animal resulte numa prenhez positiva e futuramente  num bezerro.

Segundo a Associação brasileira de inseminação artificial ( ASBIA), as vantagens da IA, passam por:

a)      Melhoramento genético: Os sêmens comercializados são de touros provados para as habilidades de leite ou carne avaliadas pelos sistema de DEP´s

b)      Cruzamento entre raças: Através da IA é possível a utilização de algumas raças no plantel, que por via de MN seria mais difícil. Touros europeus por exemplo, sofreriam em climas tropicais e poderiam baixar seus rendimentos e trazer custos elevados.

c)       Controle de doenças: A eliminação do contato sexual entre os animais diminui o índice de algumas doenças reprodutivas comuns nos bovinos.

d)      Aumento do número de descendentes para um touro: Na MN um touro acasala em média 30 vacas/mês, ao passo que através da IA, centenas de vacas podem emprenhar de um único touro no mês. Isso traz vantagens de padronização de plantel também.

e)      Utilização de touros incapacitados ou mortos: Enquanto durarem os estoques de sêmen dos touros, eles podem ser comercializados, mesmo que o touro tenha sofrido algum acidente, algum problema de saúde ou venha a falecer.

 

Por sua vez a MN, não tem argumentos favoráveis que rebatam as vantagens apontadas acima, porém ela traz argumentos relacionados ao manejo do plantel necessário para a efetivação da IA que podem dificultar a técnica, favorecendo portanto o uso da MN, tais como:

a)      Capacitação de mão de obra: A mão de obra utilizada em todo o processo da IA é fundamental para o sucesso. Identificar cio e inseminar são tarefas que não dependem apenas de técnicas ensinadas nos cursos, mas também de percepções, aptidões e conhecimento de campo e de gado. Nem todos possuem.

b)      Manejo rigoroso:

a.       100 dias observando cio de madrugada e ao final do dia, faça chuva ou faça sol, feriado ou dia útil, não é uma tarefa fácil.

b.      Exames ginecológicos no plantel antes da estação só é viável em planteis  inferiores a 500 matrizes

c.       Cumprir o protocolo de IA rigorosamente é difícil quando se tem mais de 5 vacas no cio ao mesmo tempo. Exceto se houve mais de um inseminador.
 

c)       Custo: Apesar de muitos estudos das empresas que comercializam sêmen apontarem planilhas que demonstram que a IA é mais barata, essa não é uma questão definitiva. De fato o custo de manutenção e depreciação dos touros existe por 5 ou 6 anos o que encarece a MN, porém os custos operacionais da IA são muito elevados ainda, mesmo tendo um valor de sêmen baixo. Custos como mão de obra, material, nitrogênio, animais da lida são mais exigidos, estrutura física, tronco brete, etc são indispensáveis.
 

Analisando os dois sistemas portanto, observa-se que em propriedades estruturadas, com uma capacidade gerencial bem instalada, com controles rigorosos, a IA pode ser uma técnica de grande sucesso, trazendo maior produtividade aliada a maiores rendimentos, porém se a sua estrutura ainda não está “ redonda” a sugestão é que invista em bons touros, avaliados geneticamente, limpe o rebanho de matrizes no sentido de eliminar as com fertilidade inferior e aos poucos vá se estruturando para implantar a IA. Como bem dizem os gestores o processo administrativo passa por planejar, organizar, dirigir e controlar. Façamos bem a parte de planejamento.

 

 

 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

MELHORAMENTO GENÉTICO – UMA FERRAMENTA DE QUALIDADE E EFICIENCIA NA PRODUÇÃO

                                                                                  Adriana Calmon de Brito Pedreira

                                                                                         MSc. em Administração Estratégica

 

Melhoramento animal é uma prática realizada desde os primórdios da humanidade a partir do momento que o homem descobriu a possibilidade de domesticar os animais. Tendo os animais mais próximos de si por um período de tempo maior, tornou-se possível a observação do comportamento, das características físicas e emocionais, como nasciam seus descendentes etc.

Trabalhar as aptidões desejadas passou a ser uma prática intuitiva e observatória, sem nenhuma base cientifica ou garantias, mas a consciência de que a escolha dos animais que seriam os pais da próxima geração existia e estava sendo praticada.

Selecionar reprodutores e matrizes para serem a base genética de um plantel é permitir que esses escolhidos contribuam de forma diferenciada com o patrimônio genético da próxima geração, deixando mais exemplares de seus genes alterando assim a chamada frequência genética do rebanho, como bem dizem Eler e Ferraz, 2010.

Quando se pensa em melhoramento genético, deve-se imediatamente remeter a duas questões: seleção e sistema de acasalamento. A seleção é a escolha dos animais que pela sua união formarão a próxima geração. O sistema de acasalamento consiste na forma como este processo acontecerá: se por via de monta natural, inseminação, quantidade de touros por vaca, quais touros com quais vacas etc.

Mas ainda assim fica a dúvida ou o questionamento: Como fazer essa seleção de maneira adequada para os objetivos da propriedade?

Primeiramente deve-se entender que o potencial genético de um animal, ou o seu fenótipo, é expresso não apenas pelas características do material genético, chamado de genótipo, mas também por interferência do meio ambiente como é demonstrado na figura abaixo.

                           FIGURA 1: O que condiciona o desempenho dos animais
                           Fonte: Pires,Alexandre Vaz. Bovinocultura de Corte. Volume II 2010 FEALQ 
 
Sendo assim é importante reforçar que as avaliações genéticas que expressam o valor genético aditivo de um animal (parte do genótipo desse animal), estimam um percentual de tendências genéticas com determinado nível de acurácia, mas que nunca poderão garantir a certeza do resultado a ser obtido.
Além das questões biológicas indecifráveis, como foi dito acima o ambiente interfere na demonstração das características desejadas O que quer-se dizer, é que nutrição e manejo irão interferir fortemente nessa expressão genética. Um animal terá grandes dificuldades em transmitir sua fertilidade por exemplo, se as condições nutricionais estiverem aquém das suas necessidades, se o manejo sanitário não estiver regular ou ainda se as condições climáticas estiverem muito fora do padrão normal.
Através das Diferenças Esperadas na Progênie (DEP´s), que são medidas da interferência do valor genético aditivo, os produtores podem escolher animais de acordo com seus objetivos específicos, pois elas (as DEP´S), são calculadas para vários critérios que envolvem:
a)      Peso ao nascer
b)      Peso aos 120 dd
c)       Peso na desmama
d)      Peso aos 12 meses
e)      Perímetro escrotal
f)       Peso aos 18 meses
g)      Altura aos 18 meses probabilidade de prenhez de novilhas
h)      Precocidade e musculosidade
i)        Altura de umbigo
É importante frisar nesse contexto de melhoramento constante da genética do plantel, onde a cada estação de monta se busca ganhar maior aderência aos objetivos propostos pela organização, que existe o chamado limite de seleção, que expressa os efeitos colaterais da seleção.
Esses efeitos podem estar vinculados a outras características genéticas não importantes e não levadas em consideração nos acasalamentos, por não estarem vinculadas ao objetivo principal, mas que no acúmulo de várias gerações podem trazer resultados indesejáveis.
Pesquisa realizada* em gado de leite da raça holandesa provou que um excesso de apuramento no item proteína e gordura geraram ao longo de algumas gerações uma queda no índice de reprodução, trazendo a média de fertilização para 20%, ou seja, 5 doses para uma prenhez!
Assim, cabe a ressalva, que a natureza é sabia e que o nosso poder de interferência ainda é limitado, porém, recursos e técnicas existentes podem aprimorar a produção, desde que usados com maestria, excelência e principalmente bom senso.
 
*Efeitos colaterais da Genética de alta produção: www.milkpoint.com.br/?actA=9&erro=1&arealD=73&referenciaURL=noticiaID= 42598llactA=7llrealD=61llsecaoID=171
 
Bibliografia:
PIRES, Alexandre Vaz. Bovinocultura de Corte. Volume II. Piracicaba. FEALQ,2010.
 
 
 

 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA continuação


TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA

                                                                                                     Adriana Calmon de Brito Pedreira

                                                                                             Msc. em Administração Estratégica
Continuação...

A partir daí, as propriedades podem começar a introduzir determinadas tecnologias para neutralizar situações endógenas e exógenas que interferem de forma negativa no sistema produtivo. Conforme o fluxograma da figura 1, o próximo passo é avançar para o manejo estratégico que envolve ações que permitem melhorar o índice de prenhez. Exemplos:

a)      Separação das matrizes por lotes conforme tipo (primíparas, secundíparas etc). Esse procedimento permite lotar as vacas em pastos mais ou menos ricos de acordo com a necessidade nutricional dela.

b)      Ajustes no período da EM. Manipular a EM em 60 a 90 dias para frente ou para trás, adequar ao período de melhor oferta de alimento, ou adaptar a um evento fora da rotina tal como uma extensão do tempo seco, ou do tempo frio, podem trazer um percentual de prenhez superior permitindo ganhos adicionais. Além disso estruturar uma EM especial para as primíparas pode ser outra, ou melhor, mais uma forma de obter ganhos percentuais representativos no total da prenhez.

A próxima etapa seria portanto, conforme a figura 1, seria partir para ações no manejo nutricional através de suplementos, uma tecnologia baseada em insumos e portanto de custos mais elevados e portanto precisando de estrutura de base mais sustentável além de um acompanhamento rigoroso que permita avaliar no futuro os resultados obtidos. Pode-se aplicar nessa fase:

a)      Focar nas fases de pré e pós parto ofertando pastos melhorados. Essa opção depende de um planejamento anterior que permita ter pastos ou piquetes aguardando essa opção. No caso pode-se incluir um feno para melhorar ainda mais a condição, sem esquecer do sal proteinado, que melhora a digestibilidade e permite uma maior oferta de proteína mais escassa na matéria seca. Essa opção depende de fatores exógenos vinculados ao clima o que não garante que possa ser aplicada na forma mais adequada.


b)       Ofertar suplementação com concentrados. A depender do ECC (escore de condição corpórea) essa suplementação, pode ser excessivamente cara ou ainda não trazer os resultados esperados. Porém aplicado em estruturas sustentáveis podem permitir ganhos de 30%nas taxas de prenhez. Entende-se portanto, que aplicar de forma generalizada não é uma indicação nesse protocolo.

Na sequência, a pesquisa ainda traz alternativas viáveis para mais uma etapa de evolução nas taxas de prenhez que são ações no manejo fisiológico reprodutivo que podem favorecer a prenhez de matrizes que estão com problemas de anestro pós parto. Também não são baratas e precisam de um avaliação técnica das condições de ECC como também ginecológicas para que possa surtir o efeito esperado. Pode-se exemplificar com:

a)      Sincronização de cio:

b)      IATF ( inseminação artificial em tempo fixo)

c)       Desmame interrompido

d)      Bio estimulação pré entoure

Por fim a pesquisa sugere que como última e mais avançada alternativa, para dar sintonia ainda mais fina ao volume de prenhez, pode-se desenvolver um manejo tático e de contingencia. Aqui estamos falando do exemplo dado no início do texto sobre desmamam precoce. A pesquisa sugere a desmama precoce com:

a)      90/120dd para parte das matrizes ou para todas as matrizes

b)      60/70 dias para parte das matrizes ou para todas as matrizes

Em ambos os casos, o custo da suplementação do bezerro é muito elevado e pode comprometer o resultado se não houver uma resposta positiva à prenhez. Por isso deve-se selecionar criteriosamente as vacas que participaram do protocolo. Vale ressaltar que esse processo deve ser avaliado após o segundo ano, quando costuma ter melhores respostas ( em função da adaptação das vacas ao sistema).

Como pode-se perceber, as tecnologias são muitas, mas todas precisam e exigem precedentes para que sejam aplicadas com respostas positivas tal como esperado. Precedentes esses que podem ser relacionados em tópicos para tornar mais didático e o entendimento mais fácil. São elas:

a)      Conhecimento dos dados biológicos da propriedade.

b)      Conhecimento da amplitude do resultado tanto dando tudo 100% certo ou dando tudo 100% errado.

c)       Conhecer quantitativamente os riscos da aplicabilidade das tecnologias.

d)      Eliminar as vulnerabilidades operacionais e de estrutura que são endógenas ao sistema.

e)      Existência de recursos suficientes e de fluxo de caixa correspondente ás necessidades.

Assim os riscos diminuem muito e o aprendizado para implantação progressiva de tecnologias passa a ser uma rotina nas organizações rurais. Não respeitar as pré condições pode representar um risco mais elevado do que a não aplicação das tecnologias.


 Bibliografia:

BARCELLOS, J.O.J.;OIAGEN, R.P.; CHRISTOFARI,L.F. GESTÃO DE TECNOLOGIAS APLICADAS NA PRODUÇÃO DE CARNE BOVINA: PECUÁRIA DE CRIA. Arch. Latinoam. Prod. Anim. Vol. 15 (Supl. 1) 2007 XX Reunión ALPA, XXX Reunión APPA-Cusco-Perú
 
COUTINHO, L. G.; FERRAZ, J. C. Estudo da competitividade da indústria brasileira. 2.ed. Campinas: Papirus, 1994. 510p.

LAZZAROTO, J.; SCHMITT,R.; ROESSING,A. A competitividade da cadeia produtiva da carne bovina. Universidade Federal de Viçosa.

PORTER, M. E. Competitive advantage: creating and sustaining superior performance. New York: Free Press, 1985. p.1-30.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA



TECNOLOGIA – GESTÃO, PRÁTICA E EFICIÊNCIA NA FASE DE CRIA

                                                                                                   Adriana Calmon de Brito Pedreira

                                                                                                  Msc. em Administração Estratégica

Este texto é fundamentado na pesquisa de três autores da UFRGS, Barcellos, Oiagen e Christofari publicada no XX Reunión ALPA e XXX Reunión APPA realizada em Cusco no Peru. Devido a relevância do tema, da insistência da Gepecorte em discutir as questões tecnológicas da pecuária e da forma didática como a pesquisa foi apresentada, o artigo busca esclarecer sobre a importância do impacto sistêmico no uso das tecnologias.

A utilização do fluxograma abaixo é fundamental para o entendimento do caráter sistêmico que as operações apresentam no contexto da pecuária de cria, que por sua vez, como já foi abordado em outros textos neste mesmo blog, tem uma responsabilidade ímpar e extrema no movimento de desenvolvimento da qualidade do rebanho nacional e consequentemente da carne ofertada no mercado pelas propriedades brasileiras.
FIGURA 1:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Barcellos,J.O.J  Arch.Latino americano vol. 15 -2007
Observa-se que todas as etapas são integradas, que funcionam progressivamente, através de processos sucessivos e dependentes. Ou seja, o que é aplicado em qualquer uma das etapa trará consequências para as próximas e essa condição determina a necessidade de um acompanhamento constante e criterioso dos processos aplicados.
Nas atividades rurais e consequentemente na pecuária de cria, o custo das tecnologias é influenciado por variáveis controláveis e não controláveis. Essa condição obriga aos gestores a avaliarem de forma cuidadosa, baseados nas pesquisas desenvolvidas, a magnitude da resposta que elas, as tecnologias, ofertam. Os Sistemas de Apoio a Decisão (SAD) são importantíssimos nesse contexto, pois trazem informações concretas dos resultados alcançados.
O fluxograma acima, permite conhecer todas as etapas de produção, identificar as de maior, media ou pequena relevância no contexto, de dar percepção do grau de influência das etapas e das intervenções nos processos seguintes assim como identificar as que necessitam de interferência tecnológica para desenvolver melhor performance.
Como pode-se observar, na fase de cria, tudo começa com a seleção dos animais que participarão da estação de monta (EM). Bem verdade que decidir pela EM, que é uma tecnologia, já faz parte do processo decisório que pautado em dados dos registros dos nascimentos na propriedade, irá de forma natural determinar o melhor período para instalar a EM. Ou seja, percebe-se nesse primeiro exemplo a dependência sistêmica das etapas.
As tecnologias são divididas em tecnologias de insumos e de processos. Eles se desenvolvem paralelamente e muitas vezes com forte ou total interdependência entre si. Um exemplo pode ser o sistema de desmama precoce que é uma tecnologia de processo, mas que precisa de uma suplementação nutricional (para os bezerros apartados), que é uma tecnologia de insumos. A falta de compasso entre elas pode comprometer os resultados e o produtor pode perder a noção, ou a ideia, ou ainda a certeza de qual evento, (insumo ou processo) interferiu no resultado alcançado.
Para isso os pesquisadores referenciados acima sugerem um sistema de introdução progressiva de tecnologia, que permite avançar na melhoria do plantel e dos resultados quantitativos tanto em produção quanto em retorno financeiro como um todo, e de forma integrada que eles chamaram de suporte a introdução de tecnologia .Um avanço gradativo dos processos e requisitos básicos avançando até o manejo tático e contingencial.
Dentro das perspectivas apontadas na figura entende-se como processo e requisitos básicos a gestão do conhecimento e dos processos, tais como:
a)      Biótipos adaptados (raças e cruzamentos)
b)      Composição de rebanho (% de novilhas, primíparas, secundíparas, touros)
c)       Época de monta e parição (duração, estação do ano, disponibilidade de pasto)
d)      Descarte e seleção (eliminação de vacas vazias e absorção de novilhas precoces)
e)      Sanidade (prevenção)
f)       Lotação
Continuaremos com o final do artigo na próxima edição.